Trump pressiona petrolíferas a investir US$ 100 bilhões na Venezuela, propõe refino de até 50 milhões de barris e diz que receita será controlada pelos EUA

Trump pressiona petrolíferas a investir US$ 100 bilhões na Venezuela, proposta inclui que EUA refinem 50 milhões de barris, depositem receitas em contas controladas e priorizem compras americanas

O presidente dos Estados Unidos apresentou um plano ambicioso para acelerar a exploração de petróleo na Venezuela, pedindo que grandes petrolíferas norte-americanas façam investimentos bilionários no país sul-americano.

Executivos do setor, no entanto, expressaram dúvidas sobre a viabilidade imediata do projeto, citando riscos legais e históricos de confisco de ativos.

As informações sobre a reunião, as propostas e as reações das empresas foram divulgadas em reportagem recente, conforme informação divulgada pelo g1

Reação das petroleiras americanas

Em encontro na Casa Branca, Trump pediu que as gigantes do setor invistam pelo menos US$ 100 bilhões na Venezuela, e afirmou que os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris do petróleo venezuelano.

Os executivos presentes deixaram claro que não estão prontos para um aporte tão grande no curto prazo, citando insegurança jurídica e histórico de apreensões no país.

Darren Woods, CEO da ExxonMobil, resumiu a posição ao dizer, “Já tivemos nossos ativos confiscados lá duas vezes, então você pode imaginar que reentrar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas”.

Detalhes do plano e números citados

Segundo o plano apresentado, parte da estratégia inclui que os EUA controlem a venda e o refino do petróleo retido na Venezuela, com a receita inicialmente depositada em contas geridas por bancos reconhecidos globalmente.

O Departamento de Energia dos EUA informou que as vendas começarão “imediatamente” e que toda a receita será depositada em contas controladas pelos EUA, para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”.

Trump também afirmou que fechou um acordo para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto para os EUA, movimento que, segundo ele, poderia desviar abastecimento da China, que chegou a responder por 68% das exportações venezuelanas nos últimos anos.

Riscos, desafios e contexto político

Executivos lembraram que começar exploração na Venezuela rapidamente é difícil, por causa da deterioração da infraestrutura e das incertezas legais. Chevron, única grande petroleira dos EUA ainda no país, disse estar comprometida com investimentos.

O plano ocorre após uma ação militar americana que prendeu o presidente Nicolás Maduro, operação que resultou na morte de, ao menos, 55 militares venezuelanos e cubanos, segundo relatos sobre a ação.

Trump afirmou que, com apoio das empresas e do governo venezuelano, é possível implementar mudanças, “As empresas americanas terão a oportunidade de reconstruir a infraestrutura energética deteriorada da Venezuela e, eventualmente, aumentar a produção de petróleo a níveis nunca antes vistos”.

Implicações comerciais e geopolíticas

O presidente também indicou que negociações envolvendo terceiros, como a China, seriam possíveis, afirmando, “A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela”.

Além do impacto econômico imediato, a proposta de que os EUA controlem receitas e priorizem compras americanas busca reforçar laços comerciais com a Venezuela e direcionar parte da demanda para fornecedores dos Estados Unidos.

Analistas e líderes do setor dizem que, mesmo com promessas e cifras, a recuperação da produção e a implementação de contratos seguros dependem de garantias legais claras e de mudanças profundas no ambiente de negócios venezuelano.