Proposta inclui refinamento de até 50 milhões de barris do petróleo venezuelano pelos EUA, negociações controladas por Washington e promessa de receitas direcionadas a compras nos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos pediu às maiores petrolíferas que avaliem investimentos massivos na Venezuela, com a meta de recuperar produção e influência na região.
Executivos ouvidos pela Casa Branca responderam com cautela, citando riscos legais e um histórico de apreensões de ativos no país sul-americano.
O encontro também trouxe a declaração de que os EUA refinariam e venderiam parte do petróleo retido da Venezuela, conforme informação divulgada pelo g1
Reunião na Casa Branca e reação das empresas
Em reunião com líderes da ExxonMobil, ConocoPhillips, Chevron e outras, o presidente pediu investimento de pelo menos US$ 100 bilhões na Venezuela para reconstruir campos e aumentar a produção.
Os executivos, no entanto, deixaram claro que não estão prontos para um aporte dessa magnitude no momento, citando dificuldades práticas para retomar projetos rapidamente.
Darren Woods, CEO da ExxonMobil, declarou que a Venezuela hoje é “ininvestível”, lembrando que ativos norte-americanos já foram confiscados ali em ocasiões anteriores.
Termos financeiros e logística de venda
Trump afirmou aos dirigentes do setor que os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris do petróleo venezuelano, segundo relatos do encontro.
O Departamento de Energia dos EUA informou que as vendas de petróleo venezuelano começaram imediatamente, e que toda a receita será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
Segundo o governo americano, os recursos ficarão em contas controladas pelos EUA para garantir a distribuição conforme o critério de Washington, e haveria apoio de grandes comercializadoras e bancos para viabilizar as transações.
Riscos jurídicos e histórico de confiscos
Executivos destacaram que voltar à Venezuela exigiria mudanças substanciais nas garantias legais, porque a indústria já teve ativos confiscados no país duas vezes, observou Darren Woods.
A Chevron, por sua vez, disse estar comprometida com investimentos na Venezuela, e é hoje a única grande petroleira americana ainda operando no país.
Além da insegurança, empresas mencionam o desafio operacional de reiniciar projetos em um país onde a produção caiu e onde há estoques retidos em navios e tanques desde dezembro.
Impacto geopolítico e papel da China
Trump afirmou que a Venezuela concordou em destinar receita do petróleo para compras de produtos fabricados nos EUA, incluindo alimentos, remédios e equipamentos médicos, para melhorar infraestrutura energética.
O presidente também disse que a China pode comprar petróleo dos EUA ou na Venezuela, em comentário sobre as negociações que podem redirecionar fornecimentos atualmente destinados ao gigante asiático.
Antes das sanções, a China era o principal comprador do petróleo venezuelano, e a participação chinesa subiu para cerca de 68% das exportações nos últimos anos, segundo dados mencionados na reunião.
As declarações surgiram dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou na prisão de Nicolás Maduro, e em uma operação que, de acordo com relatos, causou a morte de ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos.
O plano americano prevê ainda um acordo para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA, movimento que teria o objetivo de desviar cargas da China e apoiar a produção venezuelana no curto prazo.
Analistas apontam que, mesmo com incentivos, o restabelecimento de fluxos e investimentos depende de garantias legais claras, confiança das empresas e infraestrutura capaz de escoar o petróleo venezuelano.