Plano envolve negociações diretas dos compradores com os EUA, refinamento e venda de até 50 milhões de barris, e controle de receitas do petróleo venezuelano por Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a grandes petrolíferas que invistam pelo menos US$ 100 bilhões na Venezuela, como parte de uma estratégia para ampliar a influência americana na região.
Executivos do setor expressaram cautela, citando insegurança jurídica e confiscos passados, e deixaram claro que não estão prontos para um aporte dessa magnitude no país sul-americano.
As informações sobre a reunião e as declarações de Trump e de líderes do setor foram registradas, conforme informação divulgada pelo g1.
Reações das petroleiras americanas
Na reunião na Casa Branca estiveram executivos da ExxonMobil, ConocoPhillips, Chevron e outras companhias, mas as respostas foram divergentes.
Darren Woods, CEO da ExxonMobil, afirmou que a Venezuela hoje é “ininvestível”, lembrando que “já tivemos nossos ativos confiscados lá duas vezes, então você pode imaginar que reentrar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas”, conforme relatado pelo g1.
Por outro lado, o vice-presidente da Chevron, Mark Nelson, disse que a empresa está comprometida com investimentos na Venezuela. A Chevron é a única grande petroleira dos EUA que ainda opera no país.
O que Trump propõe sobre o petróleo venezuelano
Trump afirmou que as empresas americanas terão a oportunidade de “reconstruir a infraestrutura energética deteriorada da Venezuela e, eventualmente, aumentar a produção de petróleo a níveis nunca antes vistos”, segundo o g1.
Além da oferta de investimentos, o presidente garantiu aos executivos que os EUA irão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela sob um novo acordo com Caracas, depois da ação militar que prendeu Nicolás Maduro.
O republicano também disse que a Venezuela concordou em destinar a receita obtida com a venda do petróleo à compra exclusiva de produtos fabricados nos Estados Unidos, incluindo bens agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos.
Como seriam as vendas e o controle das receitas
O Departamento de Energia dos EUA informou que as vendas de petróleo venezuelano já começaram e que “toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente”, conforme noticiado pelo g1.
Em nota, o órgão declarou, “Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”.
O departamento acrescentou que os recursos serão depositados em contas controladas pelos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão feitos “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
Trump afirmou também que “O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, e que as vendas ocorrerão a preço de mercado.
Implicações geopolíticas e comerciais
O plano americano abre espaço para negociações diretas entre compradores internacionais e os EUA, e inclui menções explícitas à China. Trump disse, “A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela”.
A China já é o principal comprador do petróleo venezuelano, respondendo por cerca de 68% das exportações nos últimos anos, após as sanções americanas impostas em 2019.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou que o país está aberto a relações energéticas em que “todas as partes se beneficiem”, segundo o g1, enquanto autoridades venezuelanas e americanas discutem termos para exportação de petróleo bruto.
Riscos e condicionantes para investidores
Executivos destacam que investir na Venezuela exige garantias contra novos confiscos e uma alteração nas condições legais e políticas do país. Woods, da ExxonMobil, reforçou o histórico de perdas de ativos como fator central de incerteza.
A proposta de US$ 100 bilhões encontra, portanto, resistência pragmática do setor, que diz precisar de segurança jurídica e previsibilidade antes de assumir compromissos vultosos.
Enquanto isso, o plano de Washington prevê vender até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA, e usar parte das receitas para compras de produtos americanos, na tentativa de construir vínculos econômicos mais estreitos entre os dois países.
O desfecho dependerá de negociações, de garantias formais a investidores e da evolução política na Venezuela, temas que continuam em debate entre governos e empresas, conforme informação divulgada pelo g1.