Presidente Donald Trump faz um discurso de fim de ano prometendo prosperidade enquanto enfrenta críticas sobre a economia.
Em um pronunciamento incomum da Casa Branca, o presidente Donald Trump buscou projetar otimismo em relação à economia americana, prometendo um “boom econômico” para o próximo ano eleitoral. No entanto, o discurso, realizado em meio a um cenário de alta de preços e desempenho econômico questionado, focou mais em elogios à sua própria gestão e na atribuição de culpas ao seu antecessor, Joe Biden, do que em soluções concretas.
Trump, que frequentemente se queixa de não receber o devido reconhecimento por suas ações, dedicou grande parte de sua fala a enumerar feitos de seu governo, desde a segurança nas fronteiras até a suposta redução de preços de alguns produtos. A mensagem principal foi de que os Estados Unidos estão se recuperando de uma “bagunça” deixada pela administração anterior.
Apesar das promessas de um futuro próspero, dados recentes sobre a inflação e o custo de vida nos Estados Unidos pintam um quadro mais complexo. Pesquisas indicam que a maioria dos americanos percebe preços mais altos em itens essenciais, e a inflação, embora tenha apresentado quedas em certos períodos, voltou a subir, desafiando as afirmações do presidente. A matéria foi divulgada pelo g1.
Críticas a Joe Biden e a “invasão” de migrantes
O presidente republicano culpou diretamente o democrata Joe Biden por uma série de problemas que afetam o país. Entre as acusações, Trump mencionou uma suposta “invasão de migrantes”, o aumento da criminalidade violenta, questões relacionadas a direitos transgêneros e acordos comerciais anteriores, descrevendo um sistema que ele considera corrupto. Ele criticou Biden por permitir que os Estados Unidos fossem “invadidos por um exército de 25 milhões de pessoas”, números que, segundo verificadores de fatos, foram desmentidos. Estimativas indicam que cerca de 7,4 milhões de imigrantes indocumentados cruzaram a fronteira ilegalmente durante o governo Biden.
Promessas de melhorias e dividendos para militares
Trump elogiou os esforços de seu governo para reforçar a segurança nas fronteiras, mencionando deportações em massa de criminosos. Como uma das poucas iniciativas políticas anunciadas, ele informou que seu governo enviaria um “dividendo aos guerreiros” de 1.776 dólares (aproximadamente R$ 9,8 mil) para 1,45 milhão de militares americanos. Ele também apoiou uma proposta republicana para enviar dinheiro diretamente à população para cobrir custos de seguros de saúde, em vez de subsídios via Affordable Care Act, afirmando que “os únicos perdedores serão as seguradoras”.
O “boom econômico” prometido e a realidade da inflação
Apesar de admitir que os preços continuam altos, Trump argumentou que o país está preparado para um “boom econômico” em 2026, afirmando que está reduzindo os preços “muito rapidamente”. Ele creditou suas políticas tarifárias por atrair 18 trilhões de dólares em investimentos, declarando que os Estados Unidos se tornaram “o país mais atraente do mundo”. No entanto, dados do índice de preços ao consumidor em setembro mostram uma taxa de 3%, a mesma de janeiro, e um leve aumento em relação a dezembro do ano anterior, quando Biden deixou o cargo. Uma pesquisa da AP-Norc revelou que a maioria dos adultos americanos notou preços mais altos em alimentos, eletricidade e presentes de Natal.
Eleições de meio de mandato e reações políticas
O discurso de Trump ocorre em um momento crucial, com seu partido se preparando para eleições de meio de mandato em novembro de 2026, onde enfrentam desafios para manter o controle da Câmara e do Senado. Democratas têm destacado preocupações com acessibilidade financeira e política de saúde. Uma nova pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que apenas 33% dos adultos americanos aprovam a gestão econômica de Trump. Após o discurso, democratas como o senador Mark Warner chamaram a fala de “uma triste tentativa de distração”, enquanto o governador Gavin Newsom criticou o presidente de forma jocosa.