Entendimento com o secretário-geral da Otan levou Trump a suspender tarifas de 10% previstas para fevereiro, com conversas em curso sobre o projeto do Domo de Ouro e a Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que não vai impor as tarifas extras contra países europeus que havia prometido, após uma reunião que descreveu como “muito produtiva” com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
O recuo interrompe uma medida que previa a cobrança de tarifas de 10% a partir de 1º de fevereiro de 2026, em represália à oposição à iniciativa americana de assumir controle da Groenlândia.
As negociações sobre o futuro do território e sobre o projeto militar chamado Domo de Ouro continuam em andamento, conforme informação divulgada pelo g1.
O recuo das tarifas e o entendimento anunciado
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que, após o encontro com Mark Rutte, foi formada a “estrutura de um futuro acordo” relacionado à Groenlândia e à região do Ártico.
Na mesma mensagem, traduzida pelo g1, ele escreveu, em referência ao desfecho, que “com base nesse entendimento, não vou impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro”.
Trump também informou que “discussões adicionais estão em andamento sobre o Golden Dome no que se refere à Groenlândia”, e que negociações serão conduzidas por representantes que se reportarão diretamente a ele.
Quais países seriam afetados e a reação europeia
Na sua primeira ameaça, o presidente havia dito que os países impactados seriam Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia.
Em publicações e declarações subsequentes, a lista chegou a incluir Dinamarca e Finlândia, e o governo dinamarquês reiterou que não existe venda da Groenlândia em negociação.
Em resposta às tensões, segundo o g1, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia chegaram a enviar tropas à Groenlândia em 15 de janeiro, em demonstração de presença e interesse estratégico.
O papel estratégico da Groenlândia e o Domo de Ouro
A Groenlândia é considerada de grande importância estratégica, por sua posição entre os Estados Unidos e a Rússia, e por seu papel na segurança do Ártico.
Trump defendeu que a ilha é “vital” para o Domo de Ouro, a estrutura militar planejada para interceptar mísseis lançados contra o território norte-americano, e refirmou em Davos que os EUA seriam os melhores para defender a ilha.
No Fórum Econômico Mundial, ele disse que não pretende usar força para tomar a Groenlândia, e que “eu não preciso usar a força, eu não quero usar a força, eu não usarei a força, tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, conforme trechos relatados pelo g1.
Próximos passos e implicações políticas
Com a suspensão anunciada das tarifas, as atenções se voltam para as negociações entre representantes americanos, a Otan e os países europeus sobre a governança e a presença militar na Groenlândia.
Analistas apontam que qualquer acordo envolverá debates sobre soberania, bases militares existentes, logística no Ártico e impactos diplomáticos entre Estados Unidos e aliados europeus.
Autoridades americanas citadas por Trump para tocar as conversas incluem o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff, todos com reporte direto ao presidente, segundo postagem do próprio Trump relatada pelo g1.
À medida que as conversas avançarem, Trump prometeu divulgar mais informações, e países europeus mantêm postura cautelosa sobre concessões territoriais e de segurança na região do Ártico.