Trump recua de tarifas de 10% contra países europeus após entendimento sobre a Groenlândia, e diz que negociações sobre o Domo de Ouro seguem

Após reunião descrita como muito produtiva com Mark Rutte, Trump anuncia que não aplicará tarifas previstas para 1º de fevereiro e abre tratativas sobre a Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira que recuou da imposição de tarifas extras contra países europeus após um entendimento sobre o futuro da Groenlândia.

Em publicação na plataforma Truth Social, Trump disse ter tido uma reunião “muito produtiva” com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e afirmou que surgiu uma “estrutura de um futuro acordo” envolvendo a ilha e a região do Ártico.

O recuo das medidas de retaliação foi comunicado por Trump e, segundo ele, discussões adicionais sobre o Domo de Ouro em relação à Groenlândia continuam em andamento, conforme informação divulgada pelo g1.

O que Trump havia anunciado

No último sábado (17), o presidente republicano anunciou que os EUA iriam impor tarifas extras de 10%, a partir de 1º de fevereiro de 2026, a países europeus que se opusessem à sua tentativa de adquirir a Groenlândia.

Em trechos divulgados pelo g1, o anúncio incluía a afirmação, nas palavras do próprio Trump, de que “Com base nesse entendimento, não vou impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro”. O texto original também descreve que “Discussões adicionais estão em andamento sobre o Golden Dome no que se refere à Groenlândia”.

O g1 listou inicialmente os países que seriam impactados como: “Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia”. Em outra passagem da cobertura, a relação aparece mais ampla, incluindo Dinamarca e Finlândia entre as nações mencionadas.

Detalhes da declaração e da equipe de negociação

Na publicação que reproduz o conteúdo das conversas, Trump afirmou ainda que houve a formação da “estrutura de um futuro acordo relacionado à Groenlândia e, na prática, a toda a região do Ártico”. Ele avaliou que a solução seria “muito positiva para os Estados Unidos da América e para todos os países da Otan”.

Sobre as negociações futuras, Trump indicou quem ficará responsável pelo processo, escrevendo que “O vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e outros, conforme necessário, serão responsáveis pelas negociações, e se reportarão diretamente a mim.”

Contexto diplomático e repercussão

No Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump afirmou que não faria “uso da força” para tomar a Groenlândia, ao mesmo tempo em que defendeu a proposta de compra e criticou a postura europeia e da Otan.

Em seu discurso, segundo o g1, o presidente disse: “Eu não preciso usar a força, eu não quero usar a força, eu não usarei a força, tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”. Após as falas, o governo da Dinamarca reiterou que não há negociações em curso para a venda do território.

Importância estratégica da Groenlândia

A Groenlândia é considerada de grande importância estratégica, por sua posição entre os Estados Unidos e a Rússia e pela crescente atenção sobre segurança no Ártico.

Os EUA mantêm presença militar na ilha, embora a base americana tenha sido reduzida ao longo do tempo. A proposta de Trump de incluir a Groenlândia no plano do Domo de Ouro, estrutura militar para interceptar mísseis, foi citada como justificativa para a tentativa de aquisição.

Em reação às ameaças e ao aumento das tensões, vários países europeus chegaram a deslocar tropas para a região, conforme noticiado pelo g1. O desenrolar das negociações e os detalhes do suposto acordo sobre a Groenlândia serão acompanhados de perto nas próximas semanas.