quinta-feira, junho 4, 2026

Trump silencia sobre as manifestações no Irã e prioriza novo acordo nuclear, ameaça ataque com ‘enorme armada’ liderada pelo porta-aviões Abraham Lincoln, enquanto repressão já deixou 6.159 mortos

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Em post na Truth Social, Trump pediu que Teerã sente-se à mesa para negociar sem armas nucleares, relembrou ação na Venezuela e afirmou que ‘o tempo está se esgotando’

O presidente dos Estados Unidos voltou a ameaçar o Irã com um ataque, sem mencionar a forte repressão às manifestações internas que já deixou milhares de mortos.

Em mensagens publicadas na sua rede, Trump afirmou que uma “enorme armada” está a caminho e citou o porta-aviões Abraham Lincoln como elemento central da operação anunciada.

A postura reaparece como ênfase em pressão sobre o programa nuclear do Irã, em vez de proteção aos manifestantes que desde dezembro foram às ruas contra o regime dos aiatolás.

conforme informação divulgada pelo g1

A mensagem de Trump e as ameaças

No post, Trump escreveu, entre outros trechos, “Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações o mais breve possível e chegue a um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares – um acordo que seja bom para todas as partes. O tempo está se esgotando, é realmente essencial! Como eu disse ao Irã uma vez, façam um acordo! Eles não fizeram e houve a “Operação Martelo da Meia-Noite”, uma grande destruição do Irã. O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente”.

Em outra publicação, ele enfatizou que “Uma enorme armada está a caminho do Irã. Ela se move rapidamente, com grande poder, entusiasmo e determinação. É uma frota maior, liderada pelo magnífico porta-aviões Abraham Lincoln, do que a enviada à Venezuela. Assim como no caso da Venezuela, está pronta, disposta e apta a cumprir sua missão rapidamente, com velocidade e violência, se necessário”.

Mudança de foco e silêncio sobre os protestos

Analistas e jornais internacionais notaram a mudança de justificativa pública do envio de força naval para a região. O jornal americano The New York Times apontou que, nas mensagens recentes, Trump quase não mencionou a proteção aos manifestantes, apesar de ter prometido apoio em postagens anteriores.

O jornal inglês The Guardian disse que a mensagem “reflete uma mudança notável na justificativa declarada da Casa Branca para o envio de um grupo de ataque de porta-aviões à região, passando da indignação com a morte de manifestantes para o destino do programa nuclear de Teerã”.

Organizações de direitos humanos estimam que a repressão do regime deixou ao menos 6.159 mortos desde o início das manifestações, em 28 de dezembro, segundo dados divulgados por ONGs.

Resposta do Irã e risco de escalada

Autoridades iranianas reagiram com tom de confronto. Ali Shamkhani, conselheiro sênior do líder supremo, declarou que qualquer ataque será considerado o início de uma guerra, e Abbas Araghchi, chanceler, afirmou que o Irã não negociará sob ameaças.

Araghchi disse ainda que “conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil. Se eles querem que as negociações avancem, certamente precisam deixar de lado ameaças, exigências excessivas e a colocação de questões ilógicas”.

Contexto histórico e diplomático

O foco no acordo nuclear lembra a decisão de 2018, quando Trump retirou os EUA do pacto de 2015, que limitava atividades nucleares do Irã em troca de alívio de sanções, e que, na prática, fez Teerã retomar e acelerar o seu programa nuclear.

Além das ameaças verbais, o governo americano citou operações passadas, incluindo uma ação em que instalações nucleares iranianas foram bombardeadas no ano anterior, e usa esse histórico para pressionar por uma nova negociação sem armas nucleares.

O cenário, portanto, mistura retórica bélica, cálculo diplomático e o apagamento parcial das preocupações com os protestos internos, trazendo risco de maior escalada entre Washington e Teerã.

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