Trump versus Powell: cronologia completa dos ataques, das pressões por corte de juros e da investigação do DOJ que culminou na indicação de Kevin Warsh ao Fed
Como a tensão entre Donald Trump e Jerome Powell escalou desde março de 2025, com críticas públicas, ofensas, investigação criminal e a escolha de Kevin Warsh para suceder Powell
O relacionamento entre o presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, se tornou público e conflituoso durante o segundo mandato de Trump.
Desde março de 2025, o presidente pressionou por cortes agressivos de juros, enquanto Powell afirmou que as decisões do Fed dependeriam apenas de dados econômicos.
Os episódios incluem ofensas, audiências no Congresso e a abertura de investigação criminal pelo Departamento de Justiça, conforme informação divulgada pelo g1.
Pressões e encontros iniciais em 2025
Em março de 2025, Trump criticou a decisão do Fed de manter os juros estáveis e afirmou que a instituição estaria “muito melhor se cortasse as taxas”.
No mês seguinte, no chamado “Dia da Libertação”, o presidente defendeu que juros menores ajudariam a economia a lidar com novas tarifas de importação.
Em maio de 2025, durante o primeiro encontro presencial na Casa Branca, Trump disse a Powell que ele cometia um “erro” ao não reduzir os juros, enquanto Powell reiterou que a política monetária depende de dados e que o Fed age “conforme determina a lei, isento de influência política”.
Escalada verbal no segundo semestre de 2025
Ao longo do segundo semestre, as críticas se tornaram mais agressivas e pessoais. Em junho de 2025, Trump chamou Powell de “burro” e “teimoso”, e sugeriu que o Congresso deveria agir contra ele.
Powell, em audiência no Congresso, ignorou os ataques pessoais e disse que “não precisamos ter pressa” para reduzir os juros diante da incerteza inflacionária.
Em julho e outubro de 2025, Trump intensificou os adjetivos, chamando Powell de “estúpido”, “cabeça oca”, e ainda de “chefe incompetente do Fed” e “cara ruim”.
Em novembro de 2025, a Casa Branca descreveu Powell como “mula de teimosia” por não reduzir as taxas enquanto a inflação permanecia acima da meta.
Investigação do DOJ e reação de Powell
Em janeiro de 2026, o conflito ganhou novo capítulo com a abertura de investigação criminal pelo Departamento de Justiça contra Powell, por suposta má administração e mentiras ao Congresso sobre reformas nos prédios do Fed.
No dia 11 de janeiro de 2026, Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas criticou Powell, dizendo que “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”.
Powell respondeu em vídeo acusando o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política, e afirmou que “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”.
Últimos episódios, manutenção de juros e indicação de sucessor
Em 14 de janeiro de 2026, Trump disse à Reuters que não tinha planos imediatos de demitir Powell, mas que era “muito cedo” para decidir.
Após o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75% no dia 29 de janeiro de 2026, Trump chamou Powell de “idiota”, afirmando que ele estava “prejudicando o país e a segurança nacional”, e que o Fed “está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em juros totalmente desnecessários”.
No dia 30 de janeiro de 2026, Trump anunciou que indicaria um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio, com o economista Kevin Warsh como principal cotado.
O episódio marca uma das raras vezes em que um presidente dos EUA declarou publicamente que considera seu indicado no banco central como um adversário, e levanta dúvidas sobre a separação entre política e independência do Fed.