Trump versus Powell, cronologia da disputa por juros e investigação do DOJ, como críticas do presidente pressionaram o Fed e culminaram na indicação de Kevin Warsh
Crise pública entre presidente e chefe do Fed, com ataques sobre política de juros, investigação criminal e anúncio da indicação de Kevin Warsh, perpetuando tensão institucional
O confronto entre Trump versus Powell se tornou um dos episódios mais visíveis da relação entre Executivo e independência do banco central nos últimos anos.
As críticas do presidente se concentraram na decisão do Fed de manter as taxas de juros estáveis, e a disputa avançou até a abertura de uma investigação criminal, gerando questionamentos sobre pressões políticas sobre a autoridade monetária.
Os principais episódios dessa disputa, incluindo palavras duras, audiências no Congresso e a indicação de Kevin Warsh para suceder Powell, estão descritos abaixo, conforme informação divulgada pelo g1
Pressões iniciais e encontros, primeiro semestre de 2025
No começo de 2025, Trump versus Powell ganhou tom público, com o presidente pedindo cortes agressivos de juros para estimular a economia.
Em março de 2025, Trump criticou a decisão do Fed de manter os juros estáveis e afirmou que a instituição estaria “muito melhor se cortasse as taxas”.
No chamado “Dia da Libertação”, em abril de 2025, Trump reforçou que juros menores ajudariam a economia a lidar com novas tarifas de importação.
Em maio de 2025, durante o primeiro encontro presencial na Casa Branca, Trump disse a Powell que ele cometia um “erro” ao não reduzir os juros.
Powell respondeu que as decisões sobre política monetária dependeriam apenas de dados econômicos e reafirmou em comunicado que o Fed age “conforme determina a lei, isento de influência política”.
Escalada verbal, segundo semestre de 2025
Ao longo do segundo semestre de 2025, os atacos se intensificaram nas redes e em declarações públicas, aprofundando a tensão entre presidente e chefe do banco central.
Em junho de 2025, Trump chamou Powell de “burro” e “teimoso”, e sugeriu que o Congresso deveria agir contra ele.
Powell, em audiência no Congresso, ignorou ataques pessoais e disse que “não precisamos ter pressa” para reduzir os juros devido à incerteza inflacionária.
Em julho, Trump disse que Powell era “estúpido” e “cabeça oca”, afirmando que a política monetária estava “prejudicando as pessoas”.
No outono de 2025, as críticas prosseguiram, com Trump se referindo a Powell como “chefe incompetente do Fed” e “cara ruim”, e afirmando que ele sairia do cargo em poucos meses.
Em novembro de 2025, a Casa Branca classificou Powell como “mula de teimosia” por não reduzir as taxas enquanto a inflação permanecia acima da meta.
Investigação criminal e novo capítulo da disputa, janeiro de 2026
Em janeiro de 2026, a disputa deu um salto institucional com a abertura de investigação criminal pelo Departamento de Justiça contra Powell, por suposta má administração e mentiras ao Congresso sobre reformas nos prédios do Fed.
No dia 11 de janeiro de 2026, Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas criticou Powell, dizendo que “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”.
Powell reagiu em vídeo, acusando o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política e afirmando que “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”.
Em 14 de janeiro de 2026, Trump disse à Reuters que não tinha planos imediatos de demitir Powell, mas que era “muito cedo” para decidir.
No dia 29 de janeiro de 2026, após o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75%, Trump chamou Powell de “idiota” e disse que ele estava “prejudicando o país e a segurança nacional”, afirmando ainda que o Fed “está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em juros totalmente desnecessários”.
Em 30 de janeiro de 2026, Trump anunciou que indicaria um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio, com Kevin Warsh como principal cotado.
O que muda para o Fed e para a economia
A disputa pública entre Trump versus Powell coloca em evidência a tensão entre pressões políticas por estímulo e a missão do Fed de controlar a inflação, preservando sua independência operacional.
Se a indicação de Kevin Warsh avançar, a Casa Branca terá conseguido avançar na substituição do presidente do Fed, o que pode alterar expectativas de política monetária e reações dos mercados.
Até lá, o cenário permanece incerto, entre avaliações técnicas sobre inflação e vencimentos de mandato, e a relação entre Executivo e banco central seguirá sendo um dos pontos de atenção para investidores e formuladores de políticas.