Trump versus Powell, pressão por cortes de juros e investigação DOJ: cronologia das críticas do presidente ao Fed e a indicação de Kevin Warsh

Linha do tempo que detalha as trocas entre o presidente e o chefe do Federal Reserve, incluindo decisões sobre taxas, ataques públicos e a investigação do DOJ

O conflito entre Donald Trump e Jerome Powell se intensificou nos últimos meses, com críticas públicas do presidente por decisões do Fed sobre a política de juros e respostas formais do banco central defendendo sua independência.

As provocações foram acompanhadas por encontros na Casa Branca, ataques em redes sociais e, no início de 2026, pela abertura de uma investigação criminal pelo Departamento de Justiça, sobre alegações relacionadas à gestão de reformas nos prédios do Fed.

Nas linhas a seguir, está a cronologia dos principais episódios que marcaram essa disputa e os trechos citados das declarações envolvidas, conforme informação divulgada pelo g1.

Pressões iniciais e encontros, primeiro semestre de 2025

No começo de 2025, Trump começou a pressionar publicamente por cortes mais rápidos nas taxas de juros, argumentando que juros menores ajudariam a economia, especialmente diante de novas tarifas de importação.

Em março de 2025, o presidente criticou a decisão do Fed de manter os juros estáveis e afirmou que a instituição estaria “muito melhor se cortasse as taxas”.

No encontro presencial de maio de 2025 na Casa Branca, Trump disse a Powell que ele cometia um “erro” ao não reduzir os juros. Em resposta, Powell ressaltou que decisões sobre a política monetária dependeriam apenas de dados econômicos e reafirmou em comunicado que o Fed age “conforme determina a lei… isento de influência política”.

Escalada verbal, segundo semestre de 2025

Com o passar do ano, a retórica do presidente se tornou mais agressiva. Em junho de 2025, Trump usou redes sociais para atacar Powell, chamando-o de “burro” e “teimoso”, e sugeriu que o Congresso deveria agir contra ele.

Powell, em audiência no Congresso, ignorou os ataques pessoais e disse que “não precisamos ter pressa” para reduzir os juros devido à incerteza inflacionária, mantendo o foco em sinais econômicos em vez de pressões políticas.

Ao longo de julho e outubro de 2025, a linguagem de Trump seguiu dura, com termos como “estúpido” e “cabeça oca”, e referências a Powell como “chefe incompetente do Fed” e “cara ruim”. Em novembro, a Casa Branca classificou Powell como “mula de teimosia” por não reduzir as taxas enquanto a inflação permanecia acima da meta.

Investigação criminal e nova fase da disputa, janeiro de 2026

Em janeiro de 2026, o conflito entrou em nova fase com a abertura de investigação criminal pelo Departamento de Justiça, sobre suposta má administração e mentiras ao Congresso relativas a reformas nos prédios do Fed.

Em 11 de janeiro de 2026, Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas criticou Powell, dizendo, “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”.

Powell respondeu em vídeo, acusando o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política e afirmando que “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”.

Em 29 de janeiro de 2026, após o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75%, Trump chamou Powell de “imbecil” e afirmou que ele estava “prejudicando o país e a segurança nacional”, dizendo ainda que o Fed “está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em juros totalmente desnecessários”.

Indicação de sucessor e desfecho parcial, final de janeiro de 2026

No dia 30 de janeiro de 2026, Trump anunciou que indicaria um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio, com o economista Kevin Warsh citado como principal cotado para chefiar o banco central.

Em entrevistas à imprensa, Trump disse que não tinha planos imediatos de demitir Powell, mas que era “muito cedo” para decidir, enquanto a pressão política e a investigação permaneciam como fatores de tensão.

O embate entre a Presidência e o comando do Federal Reserve ilustra a disputa entre objetivos políticos de curto prazo e a defesa da independência institucional na condução da política monetária, com impactos diretos nas expectativas de mercado e nos custos de crédito para a economia.