Ucrânia Cede na Otan por Segurança: Zelensky Busca Paz com Garantias dos EUA e Europa
Ucrânia abre mão de aderir à Otan em busca de garantias de segurança com EUA e Europa, diz Zelensky
Em um movimento que pode redefinir o cenário do conflito, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que o país está disposto a abrir mão de sua ambição de aderir à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Essa concessão surge como uma potencial moeda de troca para obter garantias de segurança juridicamente vinculantes por parte dos Estados Unidos e de aliados europeus, conforme divulgado pelo portal G1.
A declaração de Zelensky, feita em um momento crucial para as negociações de paz, visa encontrar um caminho para evitar novas invasões e assegurar a soberania ucraniana, enquanto a Rússia mantém suas exigências para o fim do conflito.
Garantias de Segurança como Alternativa à Otan
Zelensky explicou que a obtenção de “garantias bilaterais de segurança entre a Ucrânia e os EUA, garantias semelhantes ao Artigo 5º para nós por parte dos EUA, e garantias de segurança de colegas europeus, bem como de outros países — Canadá, Japão — são uma oportunidade de evitar uma nova invasão russa”.
Ele ressaltou que essa disposição representa “um compromisso da nossa parte” e que as garantias precisam ser **juridicamente vinculantes** para serem eficazes.
Exigências Russas e o Caminho para a Paz
As demandas da Rússia, apresentadas pelo presidente Vladimir Putin, incluem a renúncia oficial da Ucrânia à Otan e a retirada de tropas de cerca de 10% da região de Donbas ainda sob controle de Kiev. Moscou também insiste em um status de neutralidade para a Ucrânia.
Fontes russas indicaram anteriormente o desejo de Putin por um compromisso “por escrito” das potências ocidentais para não expandir a Otan para o leste, o que descartaria formalmente a adesão de países como Ucrânia, Geórgia e Moldávia.
Zelensky, por sua vez, tem defendido uma paz “digna” e garantias contra futuros ataques russos, buscando um acordo que não atenda integralmente às exigências de Moscou, especialmente após acusações de que a Rússia estaria prolongando a guerra com ataques a infraestruturas civis.
Negociações em Andamento e o Papel dos EUA
A Ucrânia, juntamente com aliados europeus e os EUA, está analisando um plano de 20 pontos que prevê um cessar-fogo. Zelensky mencionou que Kiev não mantém negociações diretas com a Rússia no momento.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, recebeu Zelensky e líderes europeus em Berlim para uma cúpula, em um gesto de apoio. O enviado de Trump, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do presidente americano, também participaram das discussões, sinalizando uma possível chance de avanço nas negociações.
O plano em discussão, conforme rascunhos divulgados, prevê que Kiev ceda mais território, abandone a ambição de ingressar na Otan e aceite limites às suas forças armadas. Aliados europeus descrevem a situação como um “momento crítico”.
Ameaças e Declarações no Conflito
Em meio às negociações, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, alertou que a aliança deve estar “preparada para a escala de guerra que nossos avós ou bisavós enfrentaram”, declarando que “somos o próximo alvo da Rússia”.
O Kremlin, por meio de seu porta-voz Dmitry Peskov, rejeitou essas afirmações, descrevendo-as como “declarações irresponsáveis” e um sinal de falta de compreensão sobre a realidade da guerra.
Zelensky, por sua vez, denunciou ataques russos contínuos às redes de energia e água, acusando a Rússia de buscar “causar o máximo de dano possível ao nosso povo”.