quinta-feira, junho 4, 2026

UE Reage a Proibição de Visto dos EUA para Europeus Acusados de Censura Digital: “Medidas Inaceitáveis”

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A União Europeia expressou forte descontentamento e ameaça com possíveis retaliações após os Estados Unidos proibirem a entrada de cinco europeus acusados de censura digital. A medida, imposta pelo governo Trump, atinge indivíduos ligados à regulação de grandes empresas de tecnologia no bloco europeu.

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, declarou que a decisão americana é inaceitável e que o bloco tomará “medidas contra quaisquer medidas injustificadas”. O órgão já solicitou esclarecimentos ao Departamento de Estado dos EUA sobre as restrições de viagem anunciadas.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, caracterizou os cinco europeus como ativistas “radicais” e membros de ONGs “instrumentalizadas”, acusando-os de orquestrar esforços para coagir plataformas americanas a punir pontos de vista específicos. A UE, por sua vez, defende seu direito soberano de regular a atividade econômica de acordo com seus valores democráticos.

Ex-comissário europeu entre os afetados

Entre os indivíduos que tiveram a entrada nos EUA proibida está o ex-comissário europeu Thierry Breton, que supervisionava as regras das redes sociais no bloco. Breton, empresário e ex-ministro das Finanças da França, já esteve em conflito com o bilionário Elon Musk.

Rubio afirmou que o governo Trump não tolerará “atos flagrantes de censura extraterritorial”, alegando que os europeus promoveram campanhas de censura contra americanos e empresas dos EUA, com potenciais consequências para a política externa americana. A subsecretária de Estado dos EUA para Diplomacia Pública, Sarah Rogers, chegou a chamar Breton de “cérebro” por trás da Lei de Serviços Digitais da UE.

UE defende soberania e regras digitais

A Comissão Europeia rebateu as acusações, afirmando que a UE é um mercado único aberto e baseado em regras, com o direito soberano de regular a atividade econômica. “Nossas regras digitais garantem um ambiente seguro, justo e equitativo para todas as empresas, aplicadas de forma justa e sem discriminação”, declarou o órgão.

O presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou apoio a Breton e declarou que a França “resistirá firmemente à pressão e protegerá os europeus”. Macron enfatizou que as regras digitais da UE foram adotadas por meio de um processo democrático e não devem ser determinadas fora da Europa.

Líderes europeus condenam a medida

Além de Thierry Breton, a proibição de visto atinge Imran Ahmed, diretor executivo do Centro de Combate ao Ódio Digital; Josephine Ballon e Anna-Lena von Hodenberg, líderes da organização alemã HateAid; e Clare Melford, diretora do Índice Global de Desinformação. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, classificou as proibições como “inaceitáveis” e anunciou que o país discutirá a interpretação americana das regras digitais da UE com Washington.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também considerou as restrições “inaceitáveis entre aliados, parceiros e amigos”. Ele reiterou que a UE permanece firme na defesa da liberdade de expressão, de regras digitais justas e de sua soberania regulatória. O governo do Reino Unido declarou apoiar leis e instituições que visam manter a internet livre de conteúdos prejudiciais, embora reconheça o direito de cada país de definir suas regras de visto.

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