quinta-feira, junho 4, 2026

Um mês sem Maduro no poder, Venezuela em transição com Delcy Rodríguez: mudanças na política, abertura do petróleo, anistia e reaproximação com os EUA

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Quais efeitos práticos teve a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, como Delcy Rodríguez governa sob pressão dos EUA e o que muda na economia e na repressão política

Há um mês, a operação que prendeu Nicolás Maduro sacudiu a geopolítica venezuelana e colocou o país sob nova tutela externa, sem ruptura completa do regime.

Delcy Rodríguez assumiu o comando e tem conciliado o discurso chavista com medidas exigidas por Washington, mudando a agenda econômica e diplomática.

Entre os principais movimentos estão a reaproximação com os EUA, uma reforma na lei do petróleo e o anúncio de uma anistia geral, com efeitos ainda incertos para presos políticos e para a sociedade.

conforme informação divulgada pelo g1

Estabilidade tutelada e nova relação com os Estados Unidos

A cena política agora é descrita como uma “estabilidade tutelada”, expressão usada por Guillermo Tell Aveledo, professor de Estudos Políticos da Universidade Metropolitana, para definir como o chavismo segue no poder, mas sob forte influência de Washington.

O presidente dos EUA, Donald Trump, chamou Delcy Rodríguez de “formidável”, convidou-a para a Casa Branca e disse, em 14 de janeiro, “Tudo está indo muito bem com a Venezuela”, após o primeiro telefonema entre os dois.

O país também começou a retomar relações diplomáticas rompidas em 2019. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, segundo a cobertura, alertou que Rodríguez pode ter o mesmo destino de Maduro caso não cumpra os objetivos de Washington.

Abertura do setor petroleiro, investimentos e receitas

Uma das mudanças mais visíveis é a reforma da lei do petróleo, atribuída por analistas à pressão dos Estados Unidos, que praticamente revoga a nacionalização de 1976 e o modelo estatista de Hugo Chávez.

A nova legislação permite que empresas privadas operem de forma independente, sem a exigência de participação minoritária da estatal PDVSA, reduz royalties, simplifica impostos e elimina a exclusividade na exploração primária.

O plano norte-americano é atrair petroleiras como a Chevron, e, de fato, Trump assumiu o controle de parte das vendas de petróleo venezuelano no mercado internacional; a primeira operação rendeu US$ 500 milhões (R$ 2,62 bilhões).

Especialistas estimam que a Venezuela precise de cerca de US$ 150 bilhões (R$ 788 bilhões) para recuperar a indústria, que foi afetada por corrupção e má gestão, segundo a mesma fonte.

Anistia, prisões políticas e o medo que diminui, mas permanece

Rodríguez anunciou uma anistia geral, que precisa ser votada pelo Parlamento e cujo alcance ainda é incerto. A expectativa é que leve à libertação de presos políticos.

Ao receber a notícia, familiares gritavam “Liberdade, liberdade!” fora das prisões, enquanto Rodrígues anunciou também o fechamento do Helicoide, uma prisão denunciada como centro de torturas.

Até segunda-feira, 687 pessoas continuavam detidas por motivos políticos, segundo a ONG Foro Penal, e observadores alertam que anistia pode significar esquecimento ou impunidade; como disse Alfredo Romero, diretor da ONG, “Anistia, em princípio, significa esquecimento, não perdão”.

O clima de medo imposto por Maduro diminuiu, mas não desapareceu; há uma liberalização tática, nas palavras de Aveledo, enquanto o sistema recalibra o custo da repressão.

Liderança, Forças Armadas e propaganda

Maduro foi capturado junto com sua esposa, Cilia Flores, e levado para Nova York para ser julgado por tráfico de drogas, segundo a cobertura, e o comando do país passou para Delcy Rodríguez.

Rodríguez substituiu ministros e oficiais de alta patente, embora figuras como Diosdado Cabello e Vladimir Padrino permaneçam por enquanto em cargos-chave, o que sinaliza uma transição controlada dentro do aparelho do Estado.

Enquanto isso, o partido governista organiza marchas contra o que chama de “sequestro” de Maduro, e a mídia estatal exibe produções que pedem sua libertação, inclusive com drones exibindo trechos da declaração do próprio Maduro ao tribunal de Nova York, onde ele se definiu como “prisioneiro de guerra”.

O contorno que emerge é de um governo que muda práticas econômicas e diplomáticas sob pressão externa, mantendo traços do chavismo interno, e com resultados que ainda dependem da aprovação de leis e do comportamento das Forças Armadas e das instituições.

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