União Europeia aprova provisoriamente acordo UE-Mercosul e abre mercado de 451 milhões, apesar da oposição da França e temores no setor agrícola
Votação em Bruxelas permite assinatura do acordo UE-Mercosul por Ursula von der Leyen no Paraguai, resultado saiu por maioria, apesar da oposição de França e Irlanda
A União Europeia aprovou provisoriamente nesta sexta-feira o pacto comercial com o Mercosul em reunião de embaixadores em Bruxelas, habilitando a etapa final de formalização.
A decisão recebeu apoio de setores empresariais e abriu caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, possa assinar o acordo na segunda-feira, no Paraguai.
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e alcança segmentos industriais além do agronegócio.
conforme informação divulgada pelo g1
O que ocorreu na votação e as condições formais
Segundo diplomatas ouvidos pela AFP e pela Reuters, a maioria dos 27 países da União Europeia votou a favor do acordo durante a reunião em Bruxelas, embora a formalização dependa do envio de confirmações por escrito até as 17h, no horário de Bruxelas, 13h no Brasil.
Fontes consultadas informaram que a aprovação é provisória, e que, se as confirmações escritas chegarem dentro do prazo, a assinatura poderá ocorrer como programado, no Paraguai.
Por que houve resistência de alguns países
A aprovação ocorreu apesar da oposição da França, da Irlanda e de outros países que têmem impactos negativos sobre o setor agrícola, relataram diplomatas europeus.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou a posição de que Paris votaria contra o acordo, e escreveu em comunicado, “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, segundo reportagem citada pelo g1.
Críticos dizem que a entrada de produtos agrícolas sul-americanos pode pressionar preços e a concorrência local, enquanto apoiadores destacam ganhos em setores industriais e maior integração comercial.
Impactos esperados para o Brasil e para o Mercosul
Para o Brasil, o texto do acordo representa, além do agronegócio, oportunidades em diferentes segmentos industriais, por conta da redução de tarifas e do aumento de cotas de comércio com países europeus.
Empresários do Mercosul saudaram a decisão como um avanço para exportações, enquanto organizações do setor agrícola seguem pressionando por salvaguardas e medidas que protejam produtores locais.
Próximos passos e cronograma até a assinatura
Com a aprovação provisória, resta o envio das confirmações por escrito até o prazo estabelecido em Bruxelas, e a assinatura formal prevista para segunda-feira, dia 12, no Paraguai, caso não ocorram bloqueios de última hora.
Depois da assinatura, o acordo ainda deverá passar por processos internos de ratificação, conforme as regras de cada país, o que pode incluir aprovações parlamentares e revisões técnicas.