Venezuela Acusa EUA de Pirataria e Extorsão na ONU; Washington Responde com Sanções Ameaçadoras
Venezuela acusa EUA de pirataria e extorsão na ONU; Washington responde com sanções ameaçadoras
O Conselho de Segurança das Nações Unidas foi palco de um acirrado debate nesta terça-feira (23), onde a Venezuela apresentou formalmente suas queixas contra a crescente pressão exercida pelos Estados Unidos. O embaixador venezuelano, Samuel Moncada, denunciou as ações americanas como uma “potência que atua à margem do direito internacional”, comparando-as à “maior extorsão” da história do país.
As acusações surgem após a interceptação de dois navios com petróleo venezuelano no Mar do Caribe pelas autoridades americanas. O governo de Nicolás Maduro classificou os atos como “grave pirataria internacional” e prometeu que “esses atos não ficarão impunes”.
Em resposta, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, informou que Washington imporá e fará cumprir sanções contra a Venezuela e seu presidente “na máxima extensão permitida”. O objetivo, segundo Waltz, é privar o governo de Maduro de recursos financeiros provenientes do petróleo, que seriam utilizados para sustentar sua “apropriação fraudulenta do poder e suas atividades narcoterrorismo”.
Lei venezuelana prevê prisão para atos de “pirataria”
Em um movimento simultâneo, a Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pelo partido de Maduro, aprovou por unanimidade uma nova lei. Esta legislação prevê penas de prisão de até 20 anos para quem promover ou financiar o que o país descreve como pirataria ou bloqueios internacionais.
O projeto, intitulado “Para Garantir a Liberdade de Navegação e Comércio contra a Pirataria, Bloqueios e Outros Atos Ilícitos Internacionais”, foi encaminhado ao Executivo para aprovação e visa responder diretamente às ações americanas de apreensão de navios petroleiros.
Troca de farpas entre Trump e Maduro
A tensão diplomática se manifestou também em declarações públicas. Donald Trump sugeriu que a “coisa mais inteligente” que Maduro poderia fazer seria renunciar, alertando para consequências caso o presidente venezuelano “queira bancar o durão”.
Nicolás Maduro, por sua vez, rebateu afirmando que Trump estaria “melhor” se focasse nos problemas dos Estados Unidos, em vez de dedicar grande parte de seus discursos à Venezuela. Ele questionou a obsessão americana com o país sul-americano.
Sanções americanas e críticas internacionais
As operações americanas contra os petroleiros venezuelanos foram confirmadas por Washington, que declarou o bloqueio total a embarcações saindo de portos da Venezuela. O governo Trump justifica suas ações como combate ao narcotráfico, embora fontes como a revista “Vanity Fair” sugiram que o objetivo real seria a deposição de Maduro.
As ações dos EUA também receberam críticas da Rússia e da China. Pequim classificou a “apreensão arbitrária” de navios como uma grave violação do direito internacional e se opôs a “sanções unilaterais e ilegais”. Moscou reafirmou seu “total apoio” à Venezuela, reiterando seu posicionamento anterior.
Ações militares americanas no Caribe
Relatos indicam que as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram ataques contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Mar do Caribe e no Pacífico oriental. Cerca de 30 embarcações teriam sido destruídas, resultando na morte de pelo menos 104 pessoas.
O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, destacou que o objetivo é privar o governo venezuelano de recursos. Ele afirmou que a capacidade de Maduro vender o petróleo venezuelano permite sua “reivindicação fraudulenta de poder e suas atividades narcoterroristas”, concluindo que “o povo da Venezuela, francamente, merece algo melhor”.