quinta-feira, junho 4, 2026

Venezuela usará receita do petróleo para comprar produtos dos EUA, diz Trump; acordo menciona alimentos, remédios e equipamentos médicos

Share

Acordo prevê que toda a receita das vendas de petróleo venezuelano será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA, e os recursos financiarão compras de bens fabricados nos Estados Unidos

O governo de Donald Trump anunciou que a Venezuela concordou em direcionar a receita obtida com a venda de petróleo para a compra de produtos fabricados nos Estados Unidos, incluindo alimentos, medicamentos e equipamentos médicos.

Segundo o Departamento de Energia dos EUA, as vendas começaram “imediatamente” e os recursos serão administrados por contas sob controle americano em bancos reconhecidos globalmente, como forma de monitorar a distribuição dos fundos.

As informações foram divulgadas publicamente pelo próprio presidente dos EUA e por comunicados oficiais, conforme informação divulgada pelo g1.

Como vai funcionar o controle das receitas

De acordo com o comunicado do Departamento de Energia dos Estados Unidos, “toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente“. A medida, segundo o órgão, visa criar um mecanismo para acompanhar e autorizar a utilização final do dinheiro obtido.

O departamento afirmou também que os recursos serão mantidos em contas controladas pelos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos“, e que essa distribuição será feita “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA“.

Fontes oficiais mencionaram que grandes empresas de comercialização de commodities e bancos globais foram acionados para viabilizar as operações, e que as vendas seguirão por prazo indeterminado.

Declarações de Trump e detalhes do acordo

O presidente Donald Trump publicou na rede Truth Social que as compras realizadas com a receita do petróleo incluirão “produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia” da Venezuela. Em suas palavras, “Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os EUA como seu principal parceiro, uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos“.

Trump também informou que os EUA podem refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano retido em navios e tanques desde que o país enfrentou um embargo. Ele afirmou que fechou um acordo para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto para os EUA, movimento que, segundo ele, desviaria fornecimentos da China.

O Departamento de Energia declarou que o petróleo será comercializado a preço de mercado, e que o transporte será feito por navios de armazenamento diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos, correspondendo a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.

Posição da PDVSA e atores do setor

A petroleira estatal venezuelana, PDVSA, afirmou haver avanço nas negociações com as autoridades americanas para a venda de petróleo, e que os termos em discussão são semelhantes aos aplicados a parceiros estrangeiros, como a Chevron.

Autoridades do setor e a Casa Branca indicaram que haverá reuniões com executivos de grandes empresas petrolíferas nos Estados Unidos para tratar da abertura do mercado venezuelano e de possíveis investimentos em infraestrutura.

Contexto político e impacto econômico

O anúncio ocorre dias após uma ação militar americana em solo venezuelano que resultou na prisão de Nicolás Maduro, e em que autoridades informaram a morte de pelo menos 55 militares venezuelanos e cubanos. O episódio acelerou negociações sobre ativos retidos e a abertura do setor petrolífero ao capital americano.

Antes das sanções, refinarias na Costa do Golfo dos EUA importavam cerca de 500 mil barris por dia da Venezuela. Hoje, o país produz aproximadamente 1 milhão de barris por dia, nível reduzido por anos de sanções e problemas de infraestrutura.

Especialistas ouvidos por autoridades citadas no anúncio avaliam que permitir vendas controladas pode aliviar estoques retidos em navios e gerar recursos para importações, porém, a efetividade dependerá do controle sobre como exatamente os fundos serão usados, e das respostas políticas internas na Venezuela.

Em síntese, o anúncio oficial aponta para uma estratégia dos EUA de usar o comércio de petróleo tanto para influenciar alianças, quanto para tentar garantir benefícios concretos a populações dos dois países, enquanto se mantém a supervisão do fluxo de recursos.

Leia Mais

Fique por dentro