Venezuela usará receita do petróleo para comprar produtos dos EUA, diz Trump, compras serão exclusivamente americanas e incluirão alimentos, remédios e equipamentos médicos
Trump afirma que a Venezuela concordou em usar a receita do petróleo para comprar exclusivamente produtos dos Estados Unidos, e que as vendas começarão imediatamente com recursos em contas controladas pelos EUA
O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira que a Venezuela concordou em usar a receita obtida com a venda de petróleo para comprar exclusivamente produtos fabricados nos Estados Unidos.
Segundo Trump, essas compras incluirão produtos agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia do país sul-americano.
As informações sobre o acordo e as regras para o uso das receitas foram divulgadas em registros oficiais e em publicações do próprio presidente, conforme informação divulgada pelo g1
Detalhes do anúncio e citações oficiais
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que as aquisições incluirão produtos agrícolas dos EUA, medicamentos e equipamentos médicos, além de itens para melhorar a rede elétrica e as instalações de energia da Venezuela.
O presidente declarou, segundo a publicação, “Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os EUA como seu principal parceiro, uma escolha sensata e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
O conteúdo da mensagem de Trump reforça a ideia de que o governo americano passará a ter papel direto no controle sobre como a receita do petróleo será utilizada, com foco em compras feitas nos EUA.
Como as vendas de petróleo serão operacionalizadas
Mais cedo, o Departamento de Energia americano informou que os EUA já começaram a comercializar petróleo venezuelano, e que toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
Segundo o órgão, “Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”, e que os recursos serão depositados em contas controladas pelos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão feitos “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
O Departamento afirmou ainda que as vendas começam “imediatamente”, e continuarão por tempo indeterminado, e que o petróleo será vendido a preço de mercado.
Posição da PDVSA e escala do fornecimento
Na mesma data, a petroleira estatal venezuelana PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA para a venda de petróleo. A empresa disse que as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
Trump também afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano, e que fechou um acordo para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para o mercado americano.
Segundo a Casa Branca, o total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana, e que “O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”.
Contexto político e implicações
O anúncio ocorre poucos dias após uma operação militar americana na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro, ação que, de acordo com relatos oficiais, deixou ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos mortos.
Além das medidas sobre vendas de petróleo, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico, em uma estratégia declarada para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e pressionar o governo socialista venezuelano a se alinhar aos interesses americanos.
Analistas apontam que, se implementado conforme anunciado, o acordo vai transferir parte significativa das transações venezuelanas para bancos e traders ligados aos EUA, e pode reduzir o papel de compradores tradicionais, como a China, no curto prazo.
Em resumo, o plano apresentado por Trump prevê que a Venezuela usará receita do petróleo para comprar produtos dos EUA, com receitas inicialmente retidas em contas controladas pelos EUA e vendas realizadas a preço de mercado, segundo as informações divulgadas.