Vergalho bovino e pênis bovino são vendidos como petisco e afrodisíaco, frigoríficos lucram com exportação para a Ásia e com mercado pet no Brasil
Produção nacional transforma pênis de boi em petisco para cães e em prato afrodisíaco para a Ásia, mercado aproveita todas as partes do animal, preços e destinos internacionais
Frigoríficos em todo o Brasil aproveitam o vergalho bovino, nome técnico do pênis do boi, para vendas que incluem exportação e o mercado pet.
O produto passa por higienização, retirada de membranas, desidratação e embalagem individual, e segue tanto para países asiáticos quanto para pet shops no Brasil e no exterior.
No texto a seguir explicamos como é a produção, para onde vai o produto, os valores envolvidos e o contexto cultural por trás do consumo, conforme informação divulgada pelo g1.
Como o vergalho é extraído e processado
Segundo especialistas, a extração do pênis bovino é descrita como um procedimento simples. O órgão, que nos bovinos é em parte interno e pode chegar até um metro de comprimento, é retirado durante o abate, higienizado e tem as membranas removidas antes da embalagem.
O produto é normalmente desidratado para comercialização, processo que reduz o peso de cerca de 500 gramas para 200 gramas por unidade, e depois é embalado peça a peça.
Sobre o aproveitamento do animal, o especialista da área descreve a lógica de reaproveitamento integral da carcaça. Na mesma linha, ele comenta, “Do boi a gente só não aproveita o berro, E se bobear, o patrão manda fazer um CD com ele”, brinca de Paula.
Para onde vai o pênis bovino
Não existem dados oficiais específicos apenas para o pênis bovino nas estatísticas de comércio exterior, porque o produto aparece listado em categorias amplas como “miudezas comestíveis de bovinos frescas ou refrigeradas”, junto a outros órgãos.
Ao todo, o Brasil faturou US$ 231.752 com a venda de miudezas comestíveis de bovinos frescas ou refrigeradas para o exterior, segundo a Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura.
O frigorífico Sul Beef, do Mato Grosso, informou que mais de 90% de suas vendas de vergalho vão para o mercado asiático, e o restante abastece o setor pet no Brasil, no Paraguai e nos Estados Unidos.
Na Ásia, especialmente em mercados como Hong Kong, o preço da tonelada pode alcançar até US$ 6 mil, segundo o Instituto Mato-grossense da Carne, valor superior ao de outros miúdos como omaso e bucho.
Quantidade produzida e destinos
Os especialistas destacam que a produção acompanha o número de animais abatidos. No exemplo citado, “no 3° trimestre de 2025, o Brasil abateu mais de 5 milhões de bovinos machos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Portanto, produziu mais de 5 milhões de vergalhos.”
Mesmo com essa escala, não há separação clara nas estatísticas para identificar quantas unidades foram exportadas isoladamente, porque os vergalhos entram nas mesmas rubricas de outros miúdos.
Preço, mercado pet e mudança de consumo
No mercado interno, o preço médio do quilo chega a R$ 21, informa o Imac. Produtos prontos para consumo pet variam conforme o peso, e uma pesquisa online apontou preços entre R$ 12 e R$ 80 por unidade.
O diretor do Imac observa que parte significativa da produção hoje é destinada a petiscos para cães, em função do aumento dos cuidados com pets e da busca por produtos naturais e práticos para animais.
Sobre a queda do consumo humano em alguns mercados asiáticos, é citado que “É o mesmo caso, por exemplo, quando a gente pensa aqui no mercado nacional, alguns pratos mais tradicionais, como o caldo de mocotó e a buchada de bode, que usam muitos miúdos, já não são muito consumidos pelos jovens. Então o mesmo acontece na China, […] Os jovens ocidentalizaram o hábito de consumo”, explica Andrade.
Além do uso como petisco e alimento humano, outras partes do boi têm aplicações industriais diversas, como crina para pincéis, chifres para berrantes e cuias, e sangue e glândulas para indústria farmacêutica, conforme exemplos citados por profissionais do setor.
O cenário mostra um mercado que valoriza o aproveitamento integral da carne, com o vergalho bovino encontrando nichos diferentes, do prato tradicional ao petisco industrializado, e com preços e destinos que variam entre o consumo local e a exportação para a Ásia.