Volkswagen: Ciro Possobom celebra sucesso do SUV Tera e revela desafios na eletrificação no Brasil

Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, celebra o sucesso estrondoso do SUV Tera e expõe os obstáculos para a eletrificação da linha no país, além de projetar o futuro da montadora.

O presidente da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, concedeu uma entrevista exclusiva ao g1, onde abordou diversos temas relevantes para o futuro da montadora no país. Possobom destacou o **sucesso expressivo do novo SUV Tera**, um marco para a empresa, e admitiu os **desafios significativos na área de eletrificação**.

Ele explicou que a estratégia atual da Volkswagen em relação a modelos híbridos e elétricos tem sido influenciada diretamente pela **precificação**, um fator decisivo para limitar a oferta desses veículos no momento. Segundo Possobom, a **redução dos juros e uma regulamentação mais flexível** seriam pontos cruciais para impulsionar o mercado automotivo como um todo e, consequentemente, baratear os preços dos carros no Brasil.

“Comentei ano passado para a turma: ‘Pessoal, eu quero esse carro realmente que seja um ícone’. (…) Acertamos a campanha, acertamos a comunicação dele, acertamos no marketing, na maneira de vender”, disse Possobom sobre o Tera, que esgotou três meses de produção em menos de uma hora no dia do lançamento. O investimento de R$ 20 bilhões anunciado pela marca para a América Latina destinará uma parte relevante para a eletrificação, buscando recuperar o atraso em relação a outras montadoras.

O fenômeno Tera: um sucesso planejado e percebido

Ciro Possobom explicou que o sucesso de um novo modelo, como o Tera, não é resultado do acaso. O desenvolvimento de um carro leva cerca de cinco anos de planejamento, testes e ajustes. A percepção do potencial de sucesso, segundo ele, surge entre três e seis meses antes do lançamento, quando o projeto já está definido.

No caso do Tera, o interesse do público foi evidente desde o teaser no Rock in Rio, nove meses antes da estreia oficial. A apresentação completa em março, três meses antes da chegada às lojas, intensificou a expectativa. O resultado foi a venda de 12.200 unidades em menos de uma hora, o que forçou o encerramento das encomendas devido ao limite de produção da fábrica de Taubaté (SP).

A preferência brasileira por SUVs e a importância dos hatches

O presidente da Volkswagen ressaltou a clara **preferência do consumidor brasileiro por SUVs**, que já representam 54% dos veículos emplacados desde 2020, enquanto os hatches respondem por 24,6%. A própria linha da Volkswagen reflete essa tendência, com seis opções de SUVs contra apenas dois hatches.

Apesar da predominância dos utilitários, Possobom não acredita no declínio do segmento de hatches. “O SUV, ele [o público brasileiro] realmente prefere mais, mas não quer dizer que o hatch não é importante”, afirmou. Contudo, ele reconheceu que a troca de preferência já é uma realidade, com o Tera superando o Polo em vendas, um cenário que surpreendeu as expectativas iniciais de que o Polo poderia se tornar o veículo mais vendido do Brasil.

Eletrificação: o desafio da precificação e a estratégia da VW

A Volkswagen ainda não oferece modelos híbridos ou elétricos de produção nacional, diferentemente de concorrentes que já possuem opções no mercado. Segundo Ciro Possobom, a **eletrificação da linha atual encareceria os veículos**, tornando-os inacessíveis para grande parte do público. “Um cliente de R$ 120 mil não é o mesmo de R$ 160 mil. Então eu tenho que ter muito cuidado quando você adota algumas tecnologias, para talvez não desposicionar e o brasileiro não conseguir pagar”, explicou.

A montadora anunciou que **todos os lançamentos a partir de 2026 terão algum tipo de eletrificação**. Possobom destacou os **híbridos flex** como uma solução promissora para o mercado brasileiro, considerando o longo tempo que os brasileiros passam ao volante e a necessidade de autonomia. A Volkswagen contratou um empréstimo de R$ 2,3 bilhões no BNDES para acelerar esse processo.

O que o mercado automotivo brasileiro precisa para deslanchar

Possobom apontou três fatores essenciais para impulsionar o mercado automotivo: **juros mais baixos**, **maior produção nacional** e uma **regulamentação mais flexível**. Ele destacou que a taxa de juros Selic, atualmente em 15%, impacta diretamente o poder de compra do consumidor.

O executivo também enfatizou a importância de fortalecer a indústria nacional, aumentando a produção para baratear os custos e tornar os carros mais competitivos. Além disso, mencionou que a legislação de emissão de poluentes no Brasil é mais rigorosa que em outros países, o que adiciona custo aos veículos. A Volkswagen busca, com essas medidas, oferecer carros mais acessíveis e alinhados às necessidades do consumidor brasileiro.

Volkswagen fora do Salão do Automóvel: uma decisão estratégica

A ausência da Volkswagen no recente Salão do Automóvel de São Paulo foi uma decisão estratégica. Ciro Possobom afirmou que a empresa pode considerar retornar ao evento em 2027, caso ele apresente um formato mais robusto e com a participação de todas as grandes marcas. Ele criticou o modelo tradicional de salão em galpão fechado, sugerindo formatos mais abertos e inovadores, inspirados em eventos europeus.

“Salão forte para mim é com presença de todas as marcas, né? Então, acho que é isso que é importante, né? Tiveram marcas importantes lá, mas muita gente ficou de fora. Vamos torcer que a gente consiga fazer um salão bacana, bem melhor em 2027”, declarou Possobom. A Volkswagen tem investido em outras ativações de marketing para se conectar com o público e apresentar suas novidades.