Von der Leyen diz que tarifas entre EUA e UE seriam um erro e afirma que soberania da Groenlândia é inegociável, e pede resposta europeia unida

Em Davos, Ursula von der Leyen afirmou que a defesa da soberania da Groenlândia é inegociável, e que mudanças geopolíticas exigem uma Europa mais autônoma, capaz de competir e garantir segurança no Ártico

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu uma resposta europeia, unida, proporcional e firme diante das tensões no Ártico, e destacou que a cooperação entre aliados é essencial para a estabilidade no extremo norte.

Von der Leyen criticou a possibilidade de medidas comerciais punitivas entre parceiros históricos, e alertou que uma escalada tarifária só beneficiaria adversários estratégicos comuns.

Ela também apontou o acordo entre União Europeia e Mercosul como uma opção pelo comércio justo, em vez do isolamento, e ressaltou a necessidade de reduzir dependências externas.

conforme informação divulgada pelo g1

Crítica às tarifas entre aliados

Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, von der Leyen disse que, sem citar diretamente o governo americano, que tarifas propostas são um erro quando partem entre aliados. Ela afirmou, na íntegra, que “As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data“.

Von der Leyen lembrou que União Europeia e Estados Unidos firmaram um acordo comercial em julho do ano passado, e que “um acordo é um acordo”. “Em política, assim como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso precisa significar algo“, disse a presidente, defendendo que disputas comerciais escalonadas só ajudariam rivais comuns.

O alerta ocorre após declaração do presidente dos Estados Unidos de que aplicaria uma tarifa de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso fossem contrários ao plano dos EUA de comprar a Groenlândia, uma informação divulgada pelo g1.

Soberania da Groenlândia, integridade e resposta europeia

Von der Leyen foi enfática ao dizer que “A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis“. Para ela, a segurança do Ártico só pode ser alcançada por meio de atuação coordenada entre Europa, Estados Unidos e países da Otan.

Em resposta às declarações americanas, países europeus anunciaram reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo dinamarquês. Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda divulgaram um comunicado conjunto comprometendo-se com a defesa da Groenlândia.

O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu, e a presidente da Comissão Europeia pediu solidariedade total do bloco com o território autônomo dinamarquês.

Acordo UE-Mercosul como alternativa ao protecionismo

Von der Leyen destacou que o acordo assinado entre União Europeia e Mercosul cria, segundo ela, “a maior zona de livre comércio do mundo“, reunindo 31 países, mais de 700 milhões de consumidores e cerca de 20% do PIB global.

Ela afirmou que o tratado representa uma escolha pelo comércio justo em vez de tarifas, e que está alinhado aos compromissos climáticos do bloco, dizendo que “Este acordo está alinhado ao Acordo de Paris“. Para von der Leyen, o pacto reforça a diversificação de cadeias produtivas e a redução de dependências externas.

Ao defender o acordo, a presidente afirmou, ainda, que a Europa busca negociar com os polos de crescimento do século XXI, da América Latina ao Indo-Pacífico, e que a estratégia comercial do bloco passa por parcerias em vez de isolamento.

Contexto geopolítico e riscos de escalada

O discurso de von der Leyen ocorre em um momento de aumento das tensões geopolíticas no Ártico, com declarações americanas enfatizando o valor estratégico da ilha por sua localização e reservas minerais. Em alguns casos, foi até mencionada a possibilidade do uso da força, o que elevou o alerta entre aliados.

Von der Leyen alertou que entrar em uma escalada comercial ou militar entre parceiros apenas ajudaria aqueles que ambos querem manter fora do cenário estratégico, citando textualmente que “Entrar em uma espiral descendente apenas ajudaria aqueles que ambos estamos determinados a manter fora do cenário estratégico“.

O posicionamento da Comissão Europeia, segundo von der Leyen, visa garantir que a resposta europeia seja coordenada, proporcional e focada tanto na segurança quanto na preservação de valores comuns entre aliados.