Von der Leyen em Davos: tarifas dos EUA são um erro estratégico, UE defende soberania da Groenlândia e pede resposta europeia unida
No Fórum Econômico Mundial, a presidente da Comissão Europeia pediu solidariedade da UE, alertou que as tarifas dos EUA entre parceiros seriam um erro e afirmou que a Groenlândia precisa de defesa conjunta
Em Davos, Ursula von der Leyen defendeu que mudanças geopolíticas exigem uma Europa mais autônoma, integrada e preparada para competir e garantir segurança.
A presidente pediu uma resposta coordenada entre Europa, Estados Unidos e países da Otan para assegurar estabilidade no Ártico e evitar medidas unilaterais que agravem tensões.
As declarações citam preocupações diretas com propostas de tarifas e com tentativas de pressão externa sobre a Groenlândia, conforme informação divulgada pelo g1.
Crítica direta às tarifas e apelo à confiança entre aliados
Von der Leyen afirmou que, no atual cenário, a escalada de disputas comerciais só beneficiaria adversários comuns, e que a União Europeia precisa responder de forma firme e unida.
Sem citar diretamente o governo dos Estados Unidos, ela disse que, no comércio entre parceiros históricos, medidas como tarifas prejudicam a relação estratégica, e que tarifas dos EUA propostas seriam contraproducentes.
A líder europeia declarou, em tom enfático, “As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data”, e acrescentou que “Em política, assim como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso precisa significar algo”.
Soberania da Groenlândia, segurança no Ártico e resposta militar europeia
Von der Leyen foi categórica ao afirmar que “A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis”, e pediu solidariedade total da União Europeia com o território autônomo dinamarquês.
O alerta ocorre após anúncio do presidente dos Estados Unidos sobre a possibilidade de aplicar uma tarifa de 10% a oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, caso se oponham ao plano americano de comprar a Groenlândia.
Reações europeias incluem o reforço da segurança na região, envio de contingentes militares a pedido da Dinamarca e um comunicado conjunto de Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmando compromisso com a defesa da Groenlândia no âmbito da Otan.
Acordo UE-Mercosul e a estratégia de diversificação
No mesmo discurso, von der Leyen relacionou a postura comercial da União Europeia ao fechamento do acordo com o Mercosul, assinado em Assunção, e disse que o tratado representa uma virada estratégica.
Ela afirmou que o acordo cria “a maior zona de livre comércio do mundo”, e declarou que “Com este acordo, a União Europeia e a América Latina estão escolhendo o comércio justo em vez de tarifas, a parceria em vez do isolamento e a sustentabilidade em vez da exploração”.
Von der Leyen ressaltou que o tratado ajuda a diversificar cadeias produtivas, reduzir dependências externas e está alinhado ao Acordo de Paris, conectando segurança econômica e objetivos climáticos.
O que esperar nas próximas semanas
Com as tensões intensificadas, líderes europeus já se reuniram em caráter de emergência para coordenar uma resposta conjunta às pressões sobre a Groenlândia e às possíveis medidas comerciais.
A insistência da presidente da Comissão Europeia em uma posição unida indica que a UE pode combinar retórica diplomática, movimentos militares de reforço na região e medidas econômicas para defender aliados e evitar uma guerra comercial entre parceiros.
Enquanto isso, a disputa deve manter atenção internacional sobre o Ártico, a segurança transatlântica e a interdependência entre políticas comerciais e geopolíticas, com as tarifas dos EUA no centro do debate.