Von der Leyen em Davos: tarifas entre EUA e UE seriam ‘erro’ e soberania da Groenlândia é inegociável, UE deve responder unida e firme

No Fórum de Davos, a presidente da Comissão Europeia afirma que a soberania da Groenlândia é inegociável e critica possíveis tarifas entre EUA e UE

Ursula von der Leyen pediu nesta terça-feira uma resposta europeia coordenada diante das crescentes tensões no Ártico, e afirmou que a cooperação entre aliados é crucial para a estabilidade regional.

Em Davos, ela defendeu que a Europa precisa estar mais autônoma, integrada e preparada para competir, investir e garantir segurança, sem recorrer a medidas unilaterais que possam escalar conflitos.

As declarações foram feitas durante o Fórum Econômico Mundial, e incluem críticas a medidas comerciais entre parceiros, conforme informação divulgada pelo g1.

Crise no Ártico e defesa da Groenlândia

Von der Leyen deixou clara a posição da União Europeia sobre a ilha, citando textualmente, “A soberania e a integridade territorial da Groenlândia e do Reino da Dinamarca são inegociáveis”.

A afirmação foi feita num contexto de maior pressão geopolítica depois do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de compra da Groenlândia e da ameaça de tarifas, e ela pediu solidariedade total da UE com o território autônomo dinamarquês.

O episódio levou a uma reunião emergencial de líderes dos 27 países da UE em Bruxelas, convocada sob a presidência rotativa do Chipre, e países anunciaram reforços na segurança do Ártico a pedido da Dinamarca.

Entre os países que declararam compromisso com a defesa da Groenlândia e o fortalecimento da segurança do Ártico, estão Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda, segundo as informações divulgadas.

Tarifas entre EUA e UE, risco estratégico, e críticas de Von der Leyen

Sem citar diretamente o governo dos EUA, von der Leyen criticou a ideia de medidas econômicas punitivas entre aliados, afirmando, “As tarifas propostas são um erro, especialmente entre parceiros de longa data”.

Ela reforçou que acordos e confiança entre parceiros têm valor, ao dizer, “Em política, assim como nos negócios, um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso precisa significar algo”.

Von der Leyen alertou que uma escalada comercial seria contraprodutiva, e avisou que “Entrar em uma espiral descendente apenas ajudaria aqueles que ambos estamos determinados a manter fora do cenário estratégico”.

Acordo UE-Mercosul e mensagem comercial

No mesmo discurso, a presidente da Comissão Europeia saudou o acordo entre UE e Mercosul, assinado recentemente em Assunção, como uma mudança estratégica na política comercial do bloco.

Em defesa do tratado, ela afirmou, “Com este acordo, a União Europeia e a América Latina estão escolhendo o comércio justo em vez de tarifas, a parceria em vez do isolamento e a sustentabilidade em vez da exploração”.

O acordo, segundo von der Leyen, cria “a maior zona de livre comércio do mundo”, reunindo 31 países, mais de 700 milhões de consumidores e cerca de 20% do PIB global, e serve para diversificar cadeias produtivas e reduzir dependências.

Impacto e próximos passos

Ao conectar a defesa da soberania da Groenlândia com a crítica às tarifas entre EUA e UE, von der Leyen busca uma resposta que combine segurança, solidariedade e estratégia econômica.

O tom em Davos indica que a UE quer agir de forma unida e proporcional, ao mesmo tempo em que amplia parcerias comerciais, e mantém atenção às consequências geopolíticas de medidas unilaterais.