Banco Master, segundo Vorcaro, reduziu originação e passou a depender de cessão de ativos e do FGC, com foco em crédito consignado, emissão de CCBs e originadores terceirizados após comunicado do BC
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, admitiu em depoimento à Polícia Federal que a instituição enfrentava problemas de liquidez e que o modelo de negócio teve mudanças para tentar segurar a crise.
Vorcaro relatou que decisões regulatórias e sinais do mercado, incluindo uma comunicação do Banco Central em novembro de 2024, pressionaram a liquidez do banco e forçaram um plano de ação.
Ele afirmou também ter usado recursos pessoais para sustentar o banco, e disse que a negociação com o BRB foi construída dentro do próprio Banco Central, segundo o depoimento, conforme informação divulgada pelo g1.
O que Vorcaro disse à PF
No depoimento, Vorcaro afirmou que o Master “chegou a originar de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões por mês”, mas que o tamanho foi reduzido para garantir liquidez.
Ele disse que “o modelo de negócios do Master evoluiu para uma dependência agressiva da cessão de ativos e suporte do FGC” e que o banco passou a priorizar crédito consignado, emissão de cédulas de crédito bancário, e o uso de originadores terceirizados para ampliar o volume.
Segundo o depoimento, “o dono do Master disse ter aportado quase R$ 6 bilhões de seu patrimônio pessoal para sustentar o modelo do Master durante a crise”. Vorcaro também afirmou, conforme o relato, que “a venda do Master ao BRB foi construída tecnicamente dentro do BC”.
Como funcionava o modelo do Banco Master
De acordo com as informações prestadas por Vorcaro, a estratégia do banco migrou para operações que dependiam da cessão de carteiras e do respaldo do FGC, o que tornou a instituição mais sensível a mudanças de regulação e ao comportamento do mercado.
O foco em crédito consignado e a emissão de CCBs, aliados ao uso de originadores terceirizados para aumentar a originação, elevaram o ritmo de negócios quando havia demanda, mas também ampliaram riscos quando houve retirada de liquidez.
Ressarcimento do FGC e impacto para credores
Sobre a proteção aos investidores, as informações oficiais apontam que “Desde o dia 19, o FGC ressarce em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ os correntistas e investidores que tinham recursos no Master. Cerca de 600 mil credores do Master já fizeram o pedido até a noite de segunda-feira (19)”.
O FGC atua como um fundo privado que funciona como seguro para depositantes e investidores, e o início do ressarcimento busca mitigar o impacto imediato da liquidação do Banco Master.
Consequências e próximos passos
O depoimento de Vorcaro deve integrar as apurações da PF e a análise das autoridades financeiras sobre causas e responsabilidades na crise do Banco Master. Investigações e processos administrativos no Banco Central e demais órgãos devem definir ações sobre a conduta da diretoria e medidas para evitar ocorrências semelhantes.