quinta-feira, junho 4, 2026

Vorcaro admite à PF que Banco Master tinha problemas de liquidez e usava FGC como modelo de negócio, diz aporte de quase R$ 6 bilhões e venda ao BRB foi construída no BC

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Depoimento detalha que o Banco Master reduziu originações para preservar liquidez, passou a depender de cessão de ativos e do FGC, e enfrentou pressão após comunicação do Banco Central

Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal em que reconheceu problemas de liquidez no Banco Master e descreveu como o modelo de negócios evoluiu nos meses que antecederam a liquidação.

No depoimento, Vorcaro afirmou mudanças na origem de crédito e uso de garantias que deixaram o banco mais dependente do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, e de operações de cessão de ativos.

As informações foram prestadas em comunicado oficial e registradas em depoimento, conforme informação divulgada pelo g1.

O que Vorcaro disse sobre volumes e estratégia de crédito

De acordo com o depoimento, “o Master chegou a originar de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões por mês”, mas esse tamanho foi reduzido para garantir liquidez. Vorcaro explicou que o modelo do banco evoluiu para uma dependência agressiva da cessão de ativos e suporte do FGC, com foco em crédito consignado, emissão de cédulas de crédito bancário, e uso de originadores terceirizados para ampliar operações.

Ele também afirmou que, diante da crise, aportou recursos pessoais para tentar sustentar o banco, segundo o depoimento, Vorcaro disse ter aportado quase R$ 6 bilhões de seu patrimônio pessoal.

Pressão regulatória, comunicação do Banco Central e venda ao BRB

Vorcaro relatou que parte da pressão por liquidez ocorreu após relatórios do Banco Central que indicaram risco de mudança de regulação e reação do mercado. Em novembro de 2024, houve uma comunicação do BC que motivou a montagem de um plano de ação pelo banco.

Sobre a negociação que levou à saída do controle, Vorcaro afirmou que a venda do Master ao BRB foi construída tecnicamente dentro do BC, segundo o depoimento à PF, o que aponta envolvimento técnico do regulador nas tratativas finais.

Ressarcimento do FGC e situação dos credores

O FGC atua como um fundo privado de proteção a correntistas e investidores, e passou a ressarcir os clientes do Banco Master após a liquidação. Desde o dia 19, o FGC ressarce em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ os correntistas e investidores que tinham recursos no Master, conforme informado.

Até a noite de segunda-feira (19), cerca de 600 mil credores do Master já fizeram o pedido até a noite de segunda-feira (19), segundo os dados citados no depoimento e na publicação.

O caso segue sob investigação, e o depoimento de Vorcaro na Polícia Federal acrescenta detalhes sobre as causas internas da crise de liquidez no banco, os esforços de capitalização pessoal e a relação com o FGC e o Banco Central.

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