Vorcaro admite à PF que Banco Master tinha problemas de liquidez, usava FGC como modelo de negócio, reduziu originação e aportou quase R$ 6 bilhões

Depoimento à PF afirma que o Banco Master se tornou dependente do FGC, reduziu originação e montou plano após comunicado do Banco Central para tentar preservar liquidez

O dono do Banco Master prestou depoimento à Polícia Federal em que descreve as causas da crise de liquidez e as ações adotadas para tentar conter a pressão financeira.

No relato, Vorcaro detalou como o modelo do banco evoluiu e quais medidas foram tomadas nos meses que antecederam a liquidação, incluindo aportes pessoais e reestruturação da originação de crédito.

As informações foram obtidas e divulgadas por G1, conforme informação divulgada pelo G1

O que Vorcaro disse sobre a liquidez e o modelo de negócio

Segundo o depoimento, “Vorcaro admite à PF que Master tinha problemas de liquidez e usava FGC como modelo de negócio”, e que a pressão por liquidez se intensificou após relatórios do Banco Central indicarem interferência de discussões regulatórias e do mercado.

Vorcaro afirmou que “o Master chegou a originar de R$ 400 milhões a R$ 500 milhões por mês”, mas que esses volumes foram reduzidos com o objetivo de garantir liquidez.

Como funcionava a operação e as mudanças adotadas

No depoimento, ele disse que o modelo do Master evoluiu para uma dependência agressiva da cessão de ativos e suporte do FGC, com foco em crédito consignado, emissão de cédulas de crédito bancário, cédulas de crédito bancário, e uso de originadores terceirizados para aumentar o volume de negócios.

Para manter a operação durante a crise, Vorcaro relatou aportes e ajustes internos para reduzir riscos e preservar caixa, além de montar um plano de ação depois de uma comunicação do Banco Central em novembro de 2024.

Aportes, venda ao BRB e negociação com autoridades

O dono do Master disse ter “aportado quase R$ 6 bilhões de seu patrimônio pessoal” para sustentar o modelo do banco durante a crise.

Ele também afirmou que “Vorcaro diz à PF que venda do Master ao BRB foi construída tecnicamente dentro do BC”, indicando que a negociação para transferência envolveu interlocução técnica com o Banco Central.

Ressarcimento do FGC e número de credores

O texto explica o papel do FGC, que é uma associação privada sem fins lucrativos que integra o Sistema Financeiro Nacional, atuando na manutenção da estabilidade do sistema, na prevenção de crises bancárias e na proteção de depositantes e investidores.

Conforme a reportagem, “Desde o dia 19, o FGC ressarce em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ” os correntistas e investidores que tinham recursos no Master, e “Cerca de 600 mil credores do Master já fizeram o pedido até a noite de segunda-feira (19)”.

O cenário descrito no depoimento combina pressão de mercado, mudanças de modelo de negócio, e ações emergenciais do proprietário e de autoridades para tentar reduzir o impacto sobre clientes e o sistema financeiro.