A oferta da Paramount Skydance avaliada em US$ 110 bilhões pode criar um grande grupo de entretenimento e jornalismo, com cerca de 200 milhões de assinantes e forte presença em cinema, TV e streaming
A Paramount Skydance apresentou uma proposta para adquirir a Warner Bros. Discovery, avaliando o grupo em US$ 110 bilhões, incluindo dívida, em uma operação que pode redesenhar o mercado global do streaming.
A negociação ganhou força depois que a Netflix desistiu de igualar a oferta, encerrando uma disputa que começou em dezembro de 2025 pela aquisição parcial ou total dos ativos do estúdio.
O acordo, que deve ser concluído no terceiro trimestre deste ano, ainda precisa passar pela aprovação do conselho da Warner e pelos órgãos reguladores dos Estados Unidos, conforme informação divulgada pelo g1
Detalhes da oferta e a disputa com a Netflix
A proposta da Paramount prevê o pagamento de US$ 31 por ação e inclui a dívida da Warner, enquanto a oferta anterior da Netflix somava US$ 83 bilhões, excluindo ativos como a CNN e a Discovery. Segundo o g1, a Paramount, comandada por David Ellison, levou vantagem ao apresentar uma oferta considerada superior pela Warner.
Após a Warner dar prazo para que a Netflix igualasse o valor, a plataforma optou por se retirar. Em comunicado, os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, afirmaram, “A transação que negociamos criaria valor para os acionistas com um caminho claro para a aprovação regulatória. No entanto, com o preço necessário para igualar a última oferta da Paramount Skydance, o acordo deixou de ser financeiramente atraente”.
O que está incluído e números-chave
Se aprovada, a operação incorpora ao grupo da Paramount marcas como HBO, a franquia DC Comics, “Harry Potter”, “Game of Thrones”, além de canais de notícia e entretenimento como CNN e CBS. As empresas estimam uma base combinada de cerca de 200 milhões de assinantes, ampliando significativamente o catálogo e a capacidade de produção.
O negócio foi anunciado na sexta-feira (27), e a Paramount também se comprometeu a pagar uma multa maior caso autoridades regulatórias barrem a fusão, numa tentativa de tornar a oferta mais atrativa para os acionistas da Warner.
Impactos para mercado, assinantes e jornalismo
Analistas avaliam que a junção pode aumentar o poder de negociação do novo grupo frente a plataformas como Netflix e Disney, e potencialmente elevar os investimentos em conteúdo. Ao mesmo tempo, há preocupações sobre concentração de mídia, considerando que a família Ellison passaria a controlar veículos relevantes do jornalismo norte-americano.
Entre os riscos, estão a revisão por órgãos antitruste nos EUA, e mudanças na dinâmica de assinaturas e preços, já que um catálogo mais robusto tende a fortalecer a capacidade de cobrança por serviços combinados.
Próximas etapas e riscos regulatórios
O acordo ainda depende da assinatura dos contratos definitivos e da aprovação dos reguladores, etapas que podem implicar negociações adicionais e eventuais exigências de desinvestimentos. A expectativa é que a transação seja concluída no terceiro trimestre deste ano, se vencidas as barreiras legais e políticas.
Enquanto isso, o setor de streaming observa a operação como um movimento que pode acelerar uma nova rodada de consolidações, e consumidores e concorrentes aguardam desdobramentos que definirão o futuro da competição por público e receita.