Will Bank congela operações e segue cobrando faturas do cartão, o que clientes devem fazer após liquidação do BC e como funciona a proteção do FGC

App do Will Bank permite ver saldos e faturas, mas transferências, PIX e pagamentos não são concluídos, e clientes relatam cobrança de faturas mesmo com contas bloqueadas

Usuários do Will Bank relatam que o aplicativo permanece acessível para consulta, porém as operações financeiras não são efetivadas.

Compras no cartão, transferências via PIX e pagamentos estão sendo recusados, apesar de limites e saldos aparecerem normalmente na tela.

Essas queixas ganharam força após a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, conforme informação divulgada pelo g1

O que está acontecendo no aplicativo

Desde a noite de terça-feira, clientes apontaram instabilidades, com relatos de erros em serviços e recusas de transações. O site Downdetector registrou cerca de 500 notificações de erro por volta das 20h, com novo pico na manhã seguinte.

No app, muitos veem o saldo e o limite do cartão, mas não conseguem realizar pagamentos, comprar ou transferir, o que deixa o sistema na prática congelado, com valores visíveis, porém indisponíveis.

Usuários chegam a receber a mensagem oficial do banco, que diz, entre outras coisas, “Devido à liquidação determinada pelo Banco Central, as operações estão suspensas. Caso você possua saldo, em breve traremos mais informações sobre como terá acesso aos seus recursos.”

Cobranças de faturas, dívidas e risco de negativação

Mesmo com contas bloqueadas, clientes relatam que as faturas do cartão seguem sendo geradas e cobradas. A liquidação não anula automaticamente dívidas lançadas na fatura, que continuam sendo devidas, com possibilidade de juros e negativação em caso de não pagamento.

Até o momento, não há orientação do Banco Central que suspenda essas cobranças, e a paralisação do processamento dos cartões, especialmente em relação à Mastercard, foi citada como elemento que agravou a situação da instituição.

Quanto tempo para recuperar o dinheiro e qual a proteção

Com a liquidação, os recursos dos clientes passam ao processo conduzido por um liquidante nomeado pelo Banco Central, que vai apurar saldos e organizar pagamentos segundo a lei.

O banco digital acumulava cerca de R$ 7 bilhões em passivos e mantinha aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes vinculadas à bandeira Mastercard.

Quem tinha dinheiro em conta ou aplicações elegíveis conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, que cobre até R$ 250 mil por CPF, considerando o conjunto de depósitos e produtos garantidos na instituição, porém o pagamento depende dos trâmites da liquidação e não é imediato.

O que os clientes devem fazer agora

Especialistas orientam guardar todos os extratos, comprovantes de saldo e registros de movimentações na data da decretação da liquidação, pois esses documentos servem como prova de crédito no processo, conforme recomendação de advogados consultados pelo g1.

Bruno Boris afirmou, exatamente, “Mesmo sendo uma conta salário ou alguém que tivesse dinheiro em conta, o acesso a esses recursos vai depender do liquidante [a ser nomeado pelo BC]. Ele é quem vai avaliar a lógica de prioridade para esses pagamentos, mas não é algo que acontece de forma automática, infelizmente”.

A advogada Daniela Poli Vlavianos comentou, de forma direta, “Também é importante acompanhar as comunicações oficiais do Banco Central, do liquidante e do Fundo Garantidor de Créditos, que informará quando e como será feito o pagamento dos valores garantidos”.

Enquanto isso, evite tentar transferências ou movimentações após o decreto, pois atos podem ser bloqueados ou invalidados, e acompanhe as atualizações oficiais do Banco Central, do liquidante e do FGC para saber prazos e procedimentos de liberação.