Will Bank: investidor perde direito ao FGC se já resgatou R$ 250 mil do Banco Master, entenda como ficar sem cobertura e como pedir ressarcimento
Clientes do Will Bank que já receberam o limite de R$ 250 mil na liquidação do Banco Master ficam sem cobertura adicional do FGC, entenda as regras e o passo a passo para pedir reembolso
O Banco Central decretou a liquidação do Will Bank na manhã desta quarta-feira, o que acionou a atuação do FGC para o ressarcimento de clientes elegíveis.
O fundo garante depósitos e investimentos até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, e consolida valores de instituições do mesmo conglomerado.
Quem já recebeu o teto na liquidação do Banco Master não terá adicional a receber do FGC em razão da vinculação entre as instituições, conforme informação divulgada pelo g1
O que muda para investidores
Segundo a nota do FGC citada pelo g1, “Caso o credor já tenha recebido o valor limite da garantia de R$ 250 mil na liquidação das instituições Banco Master, Banco Master de Investimento ou Letsbank, não haverá valores adicionais a receber do FGC, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro”.
Em outras palavras, o limite de R$ 250 mil é aplicado por conglomerado, não por banco isolado, então investidores do Will Bank que já resgataram o teto na ação sobre o Banco Master ficam sem cobertura adicional do FGC.
A instituição financeira envolvida tem cerca de R$ 6 bilhões investidos que são elegíveis ao ressarcimento via FGC, segundo o g1, e os ressarcimentos do Banco Master começaram nesta segunda-feira, 19.
O balanço divulgado indica que “Cerca de 600 mil credores já fizeram o pedido, de acordo com o balanço divulgado na noite desta segunda. Desses, 400 mil concluíram o pedido. O FGC estima que 800 mil credores do Banco Master têm direito ao ressarcimento”, conforme informação divulgada pelo g1.
Como solicitar o ressarcimento ao FGC
O FGC orienta que pessoas físicas façam o pedido pelo aplicativo do fundo, disponível nas lojas de app. No app, após o envio da lista completa de credores pelo liquidante, o pedido de pagamento fica disponível.
O processo exige cadastro com nome, CPF e data de nascimento, e depois o solicitante informa uma conta bancária de sua titularidade para receber a transferência, valida a biometria e envia documentos, se necessário.
Para pessoas jurídicas, o representante legal deve usar o Portal do Investidor. O pagamento é feito por transferência para conta-corrente ou poupança de mesmo CNPJ, em nome da empresa. Nos casos de inventário ou espólio, o FGC trata diretamente com os beneficiários, sem solicitação pelo app.
Contexto e investigação do Banco Master
O Banco Central tinha colocado o Master em regime de liquidação extrajudicial após problemas de liquidez e práticas que geraram risco à instituição. O Master havia emitido R$ 50 bilhões em CDBs com juros acima do mercado, segundo o g1.
As investigações apontam que parte desses recursos foi aplicada em ativos sem lastro, envolvendo a compra de créditos de uma empresa chamada Tirreno, e transações com o BRB, que pagou R$ 12,2 bilhões em operação citada nas apurações.
O presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi preso em investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes financeiras no Master, conforme informações do g1.
Com a liquidação, as negociações em andamento são interrompidas, um liquidante nomeado pelo Banco Central consolida credores e valores, e o FGC realiza pagamentos segundo seu regulamento, com base nos dados fornecidos pelo liquidante.
Importante, valores que ultrapassarem o limite de cobertura de R$ 250 mil permanecerão sujeitos ao processo de liquidação do Banco Master, e, nessa situação, o credor se torna parte da massa falida como credor quirografário, sem garantia de recebimento integral.