Conflito no Irã e alertas a embarcações elevam o preço do petróleo e geram risco real de interrupção em rota que transporta mais de 20% do óleo mundial
O mercado do preço do petróleo voltou a disparar com o aumento do conflito no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.
Os contratos do Brent avançaram cerca de 10% neste domingo, atingindo na negociação de balcão aproximadamente US$ 80 por barril, depois de fechar a sexta-feira em US$ 73, segundo operadores consultados pela imprensa.
Analistas do setor passaram a projetar cenários em que o barril chegue a US$ 100 caso haja um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo global, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o preço do petróleo subiu com força
O movimento de alta no preço do petróleo reflete sobretudo o receio de interrupção no tráfego do Estreito de Ormuz, por onde passa mais de 20% do petróleo consumido no mundo.
Na avaliação de Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS, “Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz”.
Parmar também afirmou, sobre a abertura dos mercados, que “Esperamos que os preços abram (após o fim de semana) muito mais próximos de US$100 por barril e talvez excedam esse nível se houver uma interrupção prolongada no Estreito”.
Produção, estoques e tentativas de compensação
O grupo Opep+ decidiu, no domingo, elevar a produção em 206.000 barris por dia a partir de abril, um aumento que representa menos de 0,2% da demanda global, e é considerado insuficiente para neutralizar um corte significativo na oferta.
Jorge Leon, economista de energia da Rystad, estimou que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz poderia retirar entre 8 milhões e 10 milhões de barris por dia da oferta global, reduzindo drasticamente a disponibilidade no mercado.
A Rystad acrescentou que, na reabertura do mercado, os preços podem subir cerca de US$ 20, levando o Brent a ficar em torno de US$ 92 por barril segundo suas projeções.
Projeções e reações do mercado
Com o risco de menor oferta, várias instituições revisaram suas projeções. A analista Helima Croft, do RBC, afirmou que líderes do Oriente Médio alertaram Washington de que “uma guerra contra o Irã pode levar o barril a superar US$ 100”.
O Rabobank, por sua vez, tem uma previsão menos intensa, mas ainda assim espera preços acima de US$ 90 por barril no curto prazo, descrevendo sua visão como menos “altista”.
Especialistas apontam que, diante do risco no Estreito, governos e refinarias na Ásia já começaram a revisar estoques e buscar rotas alternativas e fontes de abastecimento. Em um webinar, analistas da Kpler indicaram que a Índia pode recorrer ao petróleo russo para compensar uma eventual queda nas entregas do Oriente Médio.
Impactos esperados para consumidores e indústrias
Se o preço do petróleo se mantiver em patamares mais altos, a pressão sobre custos de combustíveis, fretes e energia deve aumentar, afetando consumidores e indústrias globalmente.
Operadores e armadores já relataram interrupção no transporte de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz, depois de alertas de Teerã às embarcações, segundo fontes do mercado citadas pelo g1.
No curto prazo, a combinação de elevação do risco geopolítico, ajustes limitados de oferta pela Opep+, e realocação de fluxos comerciais pode manter o preço do petróleo volátil, com possibilidade de picos se a passagem no Estreito permanecer comprometida.