quinta-feira, julho 23, 2026

Preço do petróleo sobe 10% por conflito no Irã e risco no Estreito de Ormuz, Brent em US$ 80 e mercado projeta até US$ 100 por barril

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O recuo de navios e a escalada do conflito levaram a uma disparada no preço do petróleo, cenário que pressiona oferta global e reabre temor por bloqueios no tráfego do Golfo Pérsico

O mercado reagiu com alta ao ataque aos ativos iranianos e aos alertas na região, e a cotação do Brent avançou de forma abrupta.

Operadores dizem que a movimentação das embarcações e o receio de interrupção no tráfego já alteraram decisões de transporte e compra de petróleo.

Conforme informação divulgada pelo g1, o clima de tensão e as medidas tomadas por armadores e governos estão no centro das projeções para os próximos dias.

Movimentação do mercado e cotações

O petróleo do tipo Brent, referência internacional, avançou 10% neste domingo no mercado de balcão, alcançando cerca de US$ 80 por barril, segundo operadores do setor.

Na sexta-feira anterior, o Brent já havia fechado a US$ 73 por barril, o maior nível desde julho, e a alta vinha sendo impulsionada pela preocupação com possíveis ataques que se confirmaram no fim de semana.

O mercado futuro permanece fechado durante o fim de semana, mas operadores e analistas já ajustam posições diante da elevada volatilidade.

Risco no Estreito de Ormuz e projeções de preço

O temor central é um possível bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa mais de 20% do petróleo mundial, e fontes do mercado relatam que, após alertas de Teerã às embarcações, a maioria dos armadores interrompeu transporte pela rota.

Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS, declarou, “Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz“.

Parmar acrescentou, “Esperamos que os preços abram (após o fim de semana) muito mais próximos de US$100 por barril e talvez excedam esse nível se houver uma interrupção prolongada no Estreito“.

A analista Helima Croft, do RBC, afirmou que líderes do Oriente Médio alertaram Washington de que “uma guerra contra o Irã pode levar o barril a superar US$ 100“. O Rabobank, por sua vez, projeta preços acima de US$ 90 por barril no curto prazo.

Impacto na oferta e respostas dos produtores

A Opep+ decidiu elevar a produção em 206.000 barris por dia (bpd) a partir de abril, um acréscimo que representa menos de 0,2% da demanda global, diante da tensão nos mercados.

Jorge Leon, economista de energia da Rystad, afirmou que, mesmo com redirecionamentos por oleodutos alternativos, “um eventual fechamento do Estreito de Ormuz retiraria entre 8 milhões e 10 milhões de bpd da oferta global“.

A Rystad estima que, na reabertura do mercado, “os preços possam subir US$ 20, alcançando cerca de US$ 92 por barril“, cenário que já é discutido por traders e governos.

Alternativas e impactos regionais

Frente ao risco de cortes no fornecimento do Oriente Médio, países e refinarias na Ásia passaram a revisar estoques e buscar rotas e fornecedores alternativos.

Em um webinar, analistas da Kpler comentaram que a Índia pode recorrer ao petróleo russo para compensar uma eventual redução de fornecimento do Oriente Médio, mudança que pode redesenhar fluxos comerciais.

O desenrolar dos acontecimentos no Golfo e as decisões de armadores, produtores e governos serão determinantes para saber se a alta no preço do petróleo se confirma, e se o mercado de fato atingirá as projeções mais pessimistas.

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