sexta-feira, julho 24, 2026

Trump ameaça tarifas de 100% ao Canadá se fechar acordo com a China, risco imediato sobre importações canadenses, disputa por carros elétricos e canola

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Presidente americano alerta que, caso o Canadá assine pacto com a China, estará sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens que entrarem nos EUA, gerando tensão comercial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que irá impor tarifas de 100% sobre as importações canadenses caso o Canadá feche um acordo comercial com a China.

A declaração foi feita em sua plataforma Truth Social após Ottawa e Pequim anunciarem uma nova parceria estratégica, durante a visita do primeiro-ministro Mark Carney a Pequim.

As medidas e as negociações têm potencial de alterar cadeias de suprimentos, afetar o setor automotivo e a exportação de canola do Canadá, conforme informação divulgada pelo g1.

Ameaça direta de Trump e citações

Em publicação na Truth Social, Trump escreveu, literalmente, “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.

Na mesma mensagem, ele afirmou que se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias para os EUA, está muito enganado”.

O que prevê o novo acordo entre Canadá e China

Segundo o governo canadense, a visita de Carney a Pequim resultou em compromissos para reduzir tarifas chinesas sobre canola e para permitir a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses com tarifa de 6,1%, frente à alíquota anterior de 100% imposta pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau.

Carney disse que “Esse é um retorno aos níveis anteriores aos recentes atritos comerciais, mas sob um acordo que promete muito mais para os canadenses”. Ele também afirmou, “Para que o Canadá construa seu próprio setor competitivo de veículos elétricos, precisaremos aprender com parceiros inovadores, acessar suas cadeias de suprimentos e aumentar a demanda local”.

Dados e impactos econômicos

O acordo prevê aumento gradual da cota de veículos, chegando a cerca de 70.000 unidades em cinco anos. Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá.

Em retaliação às tarifas de Trudeau, a China impôs taxas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas canadenses, o que levou a uma queda de 10,4% nas importações de produtos canadenses pela China em 2025.

O Canadá informou esperar que a China reduza as tarifas sobre sementes de canola até 1º de março, de 84% para uma taxa combinada de cerca de 15%, e que farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas tenham medidas antidiscriminatórias removidas a partir da mesma data, ao menos até o final do ano.

Esses ajustes, segundo Ottawa, devem destravar cerca de US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores canadenses.

Reações internas e próximos passos

No Canadá, a decisão de reduzir tarifas sobre veículos chineses gerou críticas, por exemplo do primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, que afirmou que o governo federal estaria “convidando uma enxurrada de veículos elétricos baratos fabricados na China sem nenhuma garantia real de investimentos iguais ou imediatos na economia”.

Antes da ameaça pública, Trump havia declarado apoio à iniciativa de Carney dizendo que “É isso que ele deveria estar fazendo. É bom que ele assine um acordo comercial”. Ainda assim, a retórica do presidente elevou a incerteza sobre como Washington tratará o novo laço entre Ottawa e Pequim nas negociações trilaterais com Estados Unidos, Canadá e México.

Analistas dizem que os próximos dias devem mostrar se a ameaça de tarifas de 100% será confirmada em política comercial concreta, ou se as partes conseguirão acomodar interesses industriais e agrícolas sem escalada de tarifas.

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