Alta na tarifa de importação pode arrecadar até R$ 20 bilhões neste ano e gera dúvida sobre substituição por produtos nacionais, diz IFI

Governo elevou imposto de mais de mil produtos, incluindo máquinas, eletrônicos e smartphones, a taxação subiu em até 7,2 pontos percentuais e pode superar R$ 14 bilhões previstos

A Instituição Fiscal Independente, IFI, estima que a alta na tarifa de importação pode gerar arrecadação de até R$ 20 bilhões neste ano, valor acima do esperado pelo governo.

A estratégia anunciada pela equipe econômica, de reduzir importações e substituí‑las por produtos nacionais, foi definida pela IFI como “controversa e os resultados incertos“.

A medida atingiu mais de mil itens, entre bens de capital, informática e telecomunicações, e elevou impostos em vários segmentos, com partes das mudanças valendo já e outras a partir de março.

conforme informação divulgada pelo g1

Como a estimativa de arrecadação foi apresentada

A IFI aponta que a alta na tarifa de importação, anunciada no início do mês, pode gerar arrecadação de até R$ 20 bilhões neste ano, e que esse efeito fiscal é imediato, ao contrário da substituição de importações.

Segundo o órgão, a receita com a medida pode superar os R$ 14 bilhões esperados pelo Ministério da Fazenda, o que contribui para o alcance da meta fiscal do governo.

A instituição observa ainda que “Ocorre que o efeito arrecadatório é imediato, já a substituição de produtos e insumos importados por produção nacional, se ocorrer, se dará a médio e longo prazos”, frase retirada do relatório de acompanhamento fiscal da IFI.

Críticas e defesa oficial

Importadores e parlamentares da oposição criticaram a medida, alertando para perda de competitividade e pressão sobre preços, enquanto o governo defende a proteção da indústria nacional.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que “mais de 90% desses produtos são produzidos no Brasil” e disse ainda, na entrevista coletiva, “Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Então não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional, não tem impacto em preço”.

A IFI lembra que, por sua “natureza regulatória”, o imposto de importação em tese serve para intervir na economia, e que usar essa ferramenta com efeitos fiscais imediatos pode gerar resultados diferentes dos pretendidos pela política industrial.

Produtos afetados e intensidade do ajuste

Entre os itens com aumento de tarifa estão telefones inteligentes, freezers, painéis indicadores com LCD ou LED, máquinas e equipamentos industriais, geradores e turbinas, além de equipamentos de informática e embalagens.

O governo elevou a taxação desses produtos importados em até 7,2 pontos percentuais, medida que impacta cadeias produtivas e consumidores que recorrem a compras no exterior.

Riscos e efeitos esperados

A IFI alerta que o objetivo declarado de induzir uma substituição de importações por produção nacional tem horizonte de médio e longo prazos, enquanto o efeito arrecadatório é imediato.

O relatório também destaca que “O efeito industrializante de medidas protecionistas, via tarifas de importação, ao longo da história econômica brasileira, é ponto controverso na literatura especializada e contradita evidências empíricas recentes, como os resultados iniciais do tarifaço adotado pelo governo do presidente Donald Trump alcançados pela economia americana”, ressalta a IFI.

Com isso, analistas e setores afetados acompanham o desenrolar das medidas, que podem ajudar nas contas públicas no curto prazo, mas geram dúvidas sobre eficiência e custo para a competitividade e para consumidores.