Dados oficiais mostram a menor criação de vagas formais desde 2020, com ajuste forte em dezembro, recuo no ritmo de contratações e questionamentos sobre política de juros
O ano de 2025 registrou um ritmo de geração de empregos com carteira assinada mais fraco, com impacto direto sobre setores mais sensíveis ao ciclo econômico.
O fechamento de vagas em dezembro agravou o saldo anual e levantou dúvidas sobre a força da retomada no curto prazo.
As informações oficiais, divulgadas pelo governo, trazem números detalhados e reações do ministro do Trabalho, que comentou sobre a postura do Banco Central, conforme informação divulgada pelo g1.
Saldo anual e comparação histórica
Conforme os dados divulgados, o Brasil registrou a criação de 1,279 milhão de novos empregos com carteira assinada em 2025, resultado que foi o menor desde 2020, ano da pandemia da Covid-19, quando houve fechamento de vagas formais.
O levantamento apresenta ainda a evolução anual das vagas formais, conforme a fonte:
2025: 1.279.498, 2024: 1.677.575, 2023: 1.455.279, 2022: 2.014.894, 2021: 2.782.295, 2020: – 189.393
Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas no ano passado: ➡️26,599 milhões de contratações;➡️25,320 milhão de demissões.
Desempenho de dezembro e ajuste sazonal
Historicamente, dezembro costuma registrar fechamento de postos de trabalho formais no país, e 2025 seguiu essa tendência com intensidade maior.
Em dezembro de 2025, fora 618,2 mil vagas encerradas. Um aumento em relação a dezembro de 2024, quando 555,4 mil empregos com carteira assinada foram encerrados.
O resultado mensal puxou para baixo o saldo anual e expôs vulnerabilidades em segmentos que dependem de consumo e investimentos, em especial diante de juros elevadores.
Reação do governo e declarações
O ministro Luiz Marinho comentou o resultado e disse que tentou dialogar com o Banco Central, que, segundo ele, faz monitoramento de forma muito conservadora.
Em sua fala, o ministro afirmou, “Todo ano tem o ajuste de dezembro, às vezes é menor, às vezes maior. Eu desconfiava que o ajuste seria maior nesse ano, considerando o que nosso ‘querido’ Banco Central faz com os juros. As decisões, enfim”, argumentou.
O comentário coloca o foco na interação entre política fiscal, diálogo com o BC e as decisões que afetam o custo do crédito, e, por consequência, a capacidade de empresas contratarem.
O que muda para trabalhadores e empresas
Com o ritmo de criação de vagas reduzido, a competitividade por postos formais tende a aumentar, e benefícios como carteira assinada e proteções trabalhistas ficam mais disputados.
Para empresas, o cenário pede cautela em contratações e planejamento financeiro, enquanto para trabalhadores há necessidade de atenção a qualificação e mobilidade entre setores.
Os números oficiais e as declarações do governo abrem espaço para novos debates sobre políticas públicas voltadas à geração de emprego e ao ambiente de negócios no curto prazo.