Caderneta de poupança perde R$ 23,5 bilhões em janeiro, estoque cai para R$ 1 trilhão, entenda por que saques no início do ano se repetem
Caderneta de poupança tem saques elevados no início do ano, retiradas superaram depósitos em R$ 23,5 bilhões, movimento acompanha gastos sazonais e juros altos
A caderneta de poupança apresentou saída líquida de recursos em janeiro, com retiradas superiores aos depósitos, em um padrão que se repete nos primeiros meses do ano.
No mês passado, os depósitos somaram R$ 331,23 bilhões e as retiradas totalizaram R$ 354,74 bilhões, resultando em um saldo negativo de R$ 23,5 bilhões.
Com isso, o estoque aplicado caiu de R$ 1,02 trilhão em dezembro, para R$ 1 trilhão no fim de janeiro, conforme informação divulgada pelo g1.
Números do mês e o efeito sobre o estoque
Os dados, informados pelo Banco Central, mostram que a saída de recursos foi suficiente para reduzir o volume total guardado na poupança, uma das aplicações mais tradicionais dos brasileiros.
O recuo do estoque para R$ 1 trilhão indica menor volume aplicado em um produto cuja atratividade está em queda frente a alternativas de investimento.
Por que os saques aumentam em janeiro
O padrão de evasão em janeiro é recorrente, observado também em 2023, 2024 e 2025, e coincide com gastos típicos de começo de ano, como matrícula e material escolar.
Além desses gastos, famílias costumam recorrer à poupança para pagar IPVA, IPTU em alguns municípios, parcelas de compras de Natal e viagens de férias, o que explica parte do movimento.
Rentabilidade da poupança e alternativas
A poupança tem apresentado baixa competitividade, especialmente com a Selic em patamar elevado. Com as regras vigentes, quando a taxa Selic ultrapassa 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês, mais a variação da taxa referencial, TR.
Hoje, a Selic está em 15% ao ano, o que torna investimentos em renda fixa, como títulos públicos e aplicações atreladas ao CDI, mais atraentes para quem busca rendimento acima da poupança.
Risco, endividamento e perspectiva
O Banco Central também aponta que a inadimplência bancária fechou o ano passado em nível recorde, e o endividamento das famílias segue elevado, em um momento no qual os juros básicos estão no maior patamar em cerca de 20 anos.
Esses fatores, somados à sazonalidade dos gastos de início de ano, ajudam a explicar por que muitos correntistas optaram por resgatar recursos da caderneta de poupança em janeiro, apesar da queda do estoque e da busca por aplicações mais rentáveis.