terça-feira, julho 21, 2026

Como as tarifas de Trump beneficiaram o México, por que o T-MEC foi decisivo e qual o teste crucial na renegociação de 2026

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Impacto das tarifas de Trump sobre as exportações mexicanas, a vantagem do T-MEC que elevou vendas em 5,66% e os riscos da renegociação marcada para 2026

O México registrou, em 2025, um aumento notável nas exportações para os Estados Unidos, apesar da onda de medidas tarifárias promovida pela administração Trump.

O fenômeno combinou isenções específicas, rearranjos na cadeia produtiva e decisões de empresas que optaram por operar dentro das regras do T-MEC.

Esses movimentos colocam o país em posição de vantagem temporária, mas também o expõem ao que pode ocorrer na renegociação do tratado em 2026, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o México saiu na frente com as tarifas de Trump

Uma explicação chave é a isenção concedida a produtos que atendem às exigências do T-MEC, o acordo entre México, Estados Unidos e Canadá.

Erica York, analista do Tax Foundation, afirma, “Uma das maiores isenções às tarifas do ‘Dia da Libertação’ do presidente americano foi para os produtos que atendem às exigências do T-MEC”.

O resultado prático foi que transações sob o acordo dispararam em 2025, porque exportadores passaram a preferir a proteção do T-MEC em vez de pagar tarifas mais altas.

Além disso, o Modelo de Orçamento Penn Wharton, PWBM, indica que a tarifa de importação efetiva para produtos mexicanos foi de 4,6% em outubro de 2025, muito abaixo da média para o resto do mundo.

Essa diferença de alíquota, combinada com a proximidade geográfica e infraestrutura industrial do México, atraiu pedidos e investimentos direcionados ao mercado americano.

Dados, setores e vencedores e perdedores

Os números oficiais mostram que as exportações mexicanas para os EUA cresceram 5,66% em 2025, segundo dados citados pelo veículo.

Em contraste, a tarifa efetiva para produtos chineses atingiu 37,1% no ano passado, segundo o PWBM, pressionando deslocamentos de fornecedores para regiões com custos tarifários menores.

Nem todos os setores ganharam igualmente, o setor automotivo teve aumento de apenas 0,9% em 2025, resultado abaixo do esperado.

Produtos como aço e alumínio sofreram tarifas de 25% e registraram queda nas exportações para os Estados Unidos, mostrando que a vitória mexicana é seletiva.

Como o T-MEC reconfigurou estratégias empresariais

Muitos exportadores que, antes, preferiam pagar tarifas baixas para evitar burocracia mudaram de estratégia quando as tarifas aumentaram.

Em 2024, cerca de 49% das importações americanas procedentes do México eram realizadas no âmbito do acordo, percentual que, nos meses seguintes, subiu para cerca de 86% a 87%, segundo Erica York.

Mario Campa, especialista em política econômica, resume o movimento, “Quando você, como comprador nos Estados Unidos, seja consumidor ou empresa, começa a observar que as tarifas estão subindo por todos os lados, irá se dirigir ao país que conseguiu a menor alíquota”.

Além do efeito do T-MEC, parte da mudança ocorreu à medida que estoques pré-contratados de produtos vindos de outras regiões foram se esgotando, abrindo espaço para fabricantes já estabelecidos no México.

Campa observa ainda que o México pode estar se consolidando como parceiro comercial mais importante para os EUA, “Ou seja, o México está se consolidando no primeiro lugar entre as importações americanas”.

O teste decisivo na renegociação e os riscos pela frente

Apesar do ganho recente, o futuro depende da renegociação do T-MEC prevista para 2026, e do posicionamento do governo americano durante o processo.

Em 13 de janeiro, Donald Trump afirmou, sobre o tratado, “Nem mesmo penso no T-MEC. Quero o bem do Canadá e do México. Mas o problema é que não precisamos dos seus produtos”.

A declaração reacendeu incertezas e colocou o acordo sob pressão, enquanto a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que acredita na continuidade da relação comercial com os EUA.

O economista Mario Campa aponta cenários que vão da renovação do acordo à sua desintegração, com impactos setoriais variados, e alerta que movimentos como acordos do Canadá com outros mercados complicam a frente norte-americana.

Se o pior cenário ocorrer, Campa recomenda que o México acelere planos para diversificar mercados e reduzir dependência dos EUA, citando o “Plano México” como um exemplo de alternativa a ser explorada.

Em resumo, as tarifas de Trump criaram uma janela de oportunidade para o México, sustentada pelo T-MEC e por mudanças nas cadeias de suprimento, porém a sobrevivência dessa vantagem depende da forma como a renegociação será conduzida e das escolhas empresariais nos próximos meses.

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