quarta-feira, julho 22, 2026

Como Bjørn-Eirik Olsen convenceu o Japão a comer sushi com salmão cru, salvou a indústria norueguesa e transformou o paladar mundial

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Bjørn-Eirik Olsen passou anos no Japão tentando mudar a percepção sobre o salmão cru, até ver a ideia se consolidar nas prateleiras e nas esteiras de restaurantes.

O processo envolveu nome novo para o peixe, campanhas com chefs e decisões comerciais na crise dos anos 1990, que aceleraram a adoção do produto.

O relato que segue reúne as principais etapas dessa história, e explica por que o salmão norueguês virou um dos ingredientes mais consumidos em sushis no planeta, conforme informação divulgada pelo g1.

A resistência inicial e a estratégia de imagem

Na década de 1980, o governo da Noruega lançou o Projeto Japão, com o objetivo de abrir mercado para peixes noruegueses, mas havia um obstáculo cultural, os japoneses não comiam salmão cru.

Profissionais do setor, atacadistas e importadores repetiam a mesma frase, ‘Não, nós, japoneses, não comemos salmão cru’, segundo relato de Olsen, que trabalhava como analista de mercado e vivia em Osaka e Fukuoka.

Para romper a rejeição, Olsen e sua equipe criaram uma nova marca para o produto, substituindo a palavra japonesa para salmão, shake, por uma adaptação, Noruee saamon, e investiram em marketing e parcerias com chefs famosos.

A crise que forçou uma solução comercial

No início da década de 1990, a produção de salmão em cativeiro na Noruega cresceu tão rápido que as vendas na Europa e nos Estados Unidos não davam conta do excedente.

Toneladas de peixe ficaram nos congeladores e os preços caíram, levando à falência metade dos piscicultores do país, segundo o relato.

Exportadores consideraram vender 12 mil toneladas para uso culinário tradicional no Japão, mas Olsen alertou que isso destruiria a reputação que tentavam construir para o salmão norueguês no segmento de sushi e sashimi.

No lugar dessa venda, foi fechado um acordo com a empresa japonesa Nichirei para a comercialização de 5 mil toneladas como salmão para sushi, uma decisão comercial que se tornou decisiva para a consolidação do produto no mercado japonês.

Do plástico na vitrine à esteira do sushi, a popularização

Em 1994, quando Olsen deixou Tóquio, ele já estava confiante na aceitação do produto, e ao retornar ao Japão constatou algo simbólico, réplicas de niguiri de salmão feitas de plástico nas vitrines.

Outra mudança estrutural ajudou na rápida popularização, a crise econômica do Japão estourou e restaurantes de sushi mais acessíveis, com esteiras transportadoras, passaram a conquistar famílias e crianças.

Nessas esteiras, segundo Olsen, as crianças pegavam o peixe laranja ou dourado sem preconceito, e passaram a gostar, o que ajudou a tornar o sushi com salmão cru um item comum e rápido nos menus.

Impacto global e dilemas contemporâneos

O resultado foi uma transformação na forma como o mundo consome sushi, com o salmão se tornando um dos ingredientes mais populares em todo o planeta.

A Noruega segue como maior produtora de salmão de piscicultura no mundo, mas o crescimento gerou também debates, há preocupações ambientais sobre a indústria e seu impacto sobre peixes selvagens.

Bjørn-Eirik Olsen continua ligado ao Japão, viaja com frequência ao país e trabalha em um livro sobre sua experiência pessoal e profissional com a introdução do salmão cru no mercado japonês, segundo o relato citado.

Essa história mostra como decisões de marketing, acordos comerciais em momentos de crise e mudanças na oferta de restaurantes podem, em conjunto, alterar hábitos alimentares e criar tendências globais, transformando um peixe antes rejeitado em estrela das esteiras de sushi.

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