Entre os dez maiores importadores do Brasil, somente Japão, Turquia e China ampliaram compras em 2025, apesar da queda de 20,8% no volume exportado e do impacto do tarifaço dos EUA
As exportações brasileiras de café recuaram em 2025, mas nem todos os mercados seguiram a tendência de queda.
Entre os dez maiores compradores, apenas três países aumentaram as aquisições do produto brasileiro, por motivos distintos, em um ano marcado por problemas climáticos e medidas tarifárias internacionais.
Os dados e declarações usados nesta matéria são, conforme informação divulgada pelo g1.
Queda no volume, receita recorde e números-chave
Entre janeiro e dezembro de 2025, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de café, para 121 países, segundo o levantamento citado pelo g1.
Esse volume representa uma queda de 20,8% em relação a 2024, embora a receita tenha batido recorde, impulsionada pelos preços mais altos no mercado internacional.
Quem comprou mais em 2025, e por quê
Conforme o g1, o Japão foi o quarto maior comprador do ano, com importações superiores a 2,6 milhões de sacas, um aumento de 19,4% frente a 2024. O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, atribui o movimento à recomposição de estoques, “O Japão passou por um período em que comprou menos café do Brasil, porque estava com bastante estoque, Na medida que eles foram baixando, eles voltaram a comprar”.
A Turquia, sexta no ranking, ampliou as compras em 3,26%, para atender o mercado interno e também para redistribuir o produto para países vizinhos. Segundo Ferreira, “A Turquia exporta café para vários países em situação de dificuldade, em guerra”.
A China, que vive rápida expansão do consumo, comprou 19,49% a mais do Brasil em 2025, totalizando 1,1 milhão de sacas de 60 kg, e passou a ocupar a 10ª posição entre os importadores brasileiros.
Impacto do tarifaço dos Estados Unidos e mudança na liderança
O mercado norte-americano sofreu forte retração após o chamado tarifaço, especialmente sobre o café solúvel. As exportações brasileiras para os EUA caíram 33,9% em 2025 em relação a 2024, e os Estados Unidos deixaram de ser o principal destino do café brasileiro.
A Alemanha assumiu a liderança entre os compradores, porém também reduziu seu volume, com uma queda de 28,7% nas compras do Brasil, conforme os números divulgados.
Perspectivas e consumo chinês
O presidente do Cecafé também destacou o papel da China na demanda por grãos de qualidade, “Ao contrário de países que buscam preços competitivos no mundo, a China prioriza o café arábica brasileiro”.
Ferreira avaliou que o consumo no país tende a crescer, “O país segue numa crescente, Os jovens chineses estão tomando cada vez mais café”, e acrescentou, “O que temos de consumo, agora, é muito aquém do que veremos nos próximos cinco, dez anos”.
Com a combinação de problemas climáticos que reduziram oferta, e mudanças tarifárias em mercados-chave, a dinâmica das exportações brasileiras de café em 2025 abriu sinais de ajuste, com poucos mercados compensando perdas em outras frentes.