terça-feira, julho 21, 2026

Dinheiro da venda de petróleo venezuelano será mantido em contas bancárias dos EUA, receita ficará sob controle americano para uso ‘em benefício do povo’

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EUA anunciam que toda a receita da venda do petróleo venezuelano será depositada em contas controladas por bancos globais, para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”

Os Estados Unidos começaram a comercializar petróleo venezuelano e decidiram manter toda a receita inicial em contas bancárias controladas por Washington em instituições reconhecidas globalmente.

Segundo o Departamento de Energia americano, os depósitos serão feitos em contas controladas pelos EUA, com o objetivo de assegurar a distribuição final dos recursos.

A medida faz parte de uma série de ações dos EUA após a prisão de Nicolás Maduro, e será aplicada às vendas que, segundo o governo americano, começam imediatamente, conforme informação divulgada pelo g1

Como serão controlados os recursos

O Departamento de Energia informou que, para viabilizar as operações, contou com o apoio de grandes traders de commodities e bancos importantes do mundo, citando, na íntegra, “Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”.

O órgão afirmou também que os recursos serão depositados em contas controladas pelos EUA para, nas suas palavras, “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão feitos “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.

Volume de petróleo e cronograma

Na declaração oficial foi dito que as vendas começam “imediatamente”, e continuarão por tempo indeterminado. O governo americano informou, anteriormente, que pretende refin ar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano, segundo comunicado do presidente Donald Trump.

O total de petróleo destinado aos Estados Unidos corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana, em um cenário no qual a Venezuela produz hoje aproximadamente 1 milhão de barris por dia, número abaixo do passado por causa de sanções e problemas de infraestrutura.

Contexto geopolítico e ações recentes

A decisão ocorre dias após uma ação militar americana na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro, operação que deixou, segundo relatos, ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos mortos.

Também nesta semana, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico, ação que integra a estratégia americana de controlar o fluxo de petróleo nas Américas, e de pressionar o governo venezuelano a alterar sua postura.

Interesses e mercado

O governo Trump declarou intenção de abrir o setor petrolífero venezuelano para grandes companhias dos EUA, afirmando que as empresas americanas poderão investir na recuperação da infraestrutura e gerar lucro, segundo pronunciamento do presidente.

Antes das sanções, as refinarias americanas na Costa do Golfo processavam tipos pesados de petróleo venezuelano, e as companhias dos EUA importavam cerca de 500 mil barris por dia. A retomada das exportações e a venda controlada das reservas pode alterar fluxos comerciais e impactar preços no curto prazo.

A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, informou que pretende reunir executivos do setor petrolífero esta semana para tratar sobre o tema, indicando que haverá coordenação direta com a indústria para operacionalizar a logística e a comercialização.

Analistas apontam que manter o dinheiro da venda de petróleo venezuelano em contas nos EUA cria mecanismos de supervisão financeira destinados a reduzir desvios, mas também aumenta a influência americana sobre recursos que historicamente foram um pilar econômico da Venezuela.

Fontes, declarações e números citados no texto são baseados em comunicado oficial do Departamento de Energia dos Estados Unidos, e em reportagens relacionadas, conforme informação divulgada pelo g1.

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