Dólar abre em alta com negociações entre EUA e Irã, pressiona petróleo e bolsas, e aumenta incerteza política no Brasil com Lula e Flávio Bolsonaro

Na manhã desta quinta, o dólar sobe com atenção ao encontro entre Estados Unidos e Irã, risco de interrupção no Estreito de Ormuz, e repercussões no petróleo e nas ações

O mercado cambial abriu em alta nesta quinta-feira, com investidores atentos ao noticiário geopolítico, especialmente à reunião entre EUA e Irã que pode influenciar o preço do petróleo e o apetite por risco global.

Por volta das 9h05, a moeda americana subia 0,12%, cotada a R$ 5,1307, após recuar na véspera, em movimento que reflete nervosismo sobre possíveis desdobramentos entre as duas potências.

Na véspera, a moeda americana caiu 0,60%, cotada a R$ 5,1246, menor nível desde 21 de maio de 2024, e o cenário externo segue ditando o tom da sessão, conforme informação divulgada pelo g1.

Tensão entre EUA e Irã e o efeito sobre o câmbio

A possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã mantém investidores cautelosos, com relatos de que o presidente Donald Trump pode decidir sobre um ataque depois da reunião em Genebra.

Essa é a terceira tentativa em menos de um mês de fechar um acordo que restrinja o programa nuclear iraniano, e autoridades iranianas mostraram sinais mistos, com o presidente Masoud Pezeshkian vendo chances de resultado positivo, e o ministro de Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmando que um acordo é possível se a diplomacia for priorizada.

Do lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio disse que espera uma reunião produtiva, mas afirmou que o governo iraniano enfrentará “um grande problema” se resistir a discutir os limites dos mísseis, citações que reforçam a incerteza e tendem a fortalecer o dólar em momentos de aversão ao risco.

Outro fator que pode valorizar a moeda americana é a possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, o que elevaria prêmios de risco e pressionaria os preços do petróleo.

Petróleo, índices globais e dados econômicos

Apesar das incertezas geopolíticas, os preços do petróleo recuavam pela manhã, com o Brent caía 1,31%, a US$ 69,91 por barril, enquanto o WTI recuava 1,59%, a US$ 64,37, indicando que oferta e outros fatores continuam delimitando altas bruscas no curto prazo.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Trabalho divulgaria, às 10h30 (de Brasília), os pedidos iniciais de seguro-desemprego da semana até 21 de fevereiro, lembrando que, na semana anterior foram registrados 206 mil pedidos, e a expectativa agora é de 215 mil, números que podem influenciar sentimento sobre a economia americana e o dólar.

Os contratos futuros das bolsas de Wall Street apontavam para abertura levemente negativa, com o S&P 500 recuando 0,1%, o Dow Jones caindo 0,2%, e a Nasdaq com baixa de 0,05%. Na Europa, o STOXX 600 subia 0,21% e vai a 634,80 pontos, enquanto o FTSE 100 avançava 0,2%, a 10.824,90 pontos, o CAC 40 ganhava 0,4% e alcançava 8.593,83 pontos, e o DAX operava com queda de 0,2%, marcando 25.133,39 pontos.

Na Ásia, os resultados foram mistos no dia, com Xangai recuando 0,02%, o CSI300 caindo 0,19%, e o Hang Seng apresentando queda de 1,44%. Em Tóquio, o Nikkei subiu 0,29%, chegando a 58.753 pontos, em Seul o KOSPI avançou 3,67%, para 6.307 pontos, e em Taiwan o TAIEX permaneceu estável, aos 35.414 pontos.

Ambiente doméstico, bolsa brasileira e pesquisa política

No Brasil, o Ibovespa começava a ser negociado mais tarde, e num dia de agenda doméstica fraca, o foco dos investidores permanecia no cenário internacional e no noticiário político.

Parte da atenção local vinha de pesquisa da AtlasIntel, que apontou o presidente Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados em um eventual segundo turnoe, dado que alguns agentes interpretam como sinal de possível mudança no comando do país em 2026.

Segmentos do mercado entendem que uma eventual troca de governo poderia abrir espaço para medidas mais firmes no controle das contas públicas, o que, em tese, afetaria expectativas sobre juros e risco Brasil, e, consequentemente, o apetite por ativos locais.

Em indicadores de curto prazo, o dólar apresenta acumulado da semana de -0,99%, acumulado do mês de -2,34%, e acumulado do ano de -6,63%, enquanto o Ibovespa mostra acumulado da semana de +0,32%, do mês de +5,39%, e do ano de +18,63%, sinais de volatilidade com influência externa e notícias políticas.

Perspectivas e atenção dos investidores

Especialistas consultados apontam que, embora tensões aumentem aversão ao risco e valorizem o dólar, o mercado não espera uma guerra prolongada ou de grande escala, e fatores como excesso de oferta de petróleo e restrições às vendas do Irã podem limitar altas abruptas no curto prazo.

Investidores devem seguir acompanhando os desdobramentos da reunião em Genebra, os dados de emprego nos EUA, os preços do petróleo, e qualquer sinal de alteração no clima político brasileiro, que juntos vão moldar a trajetória do dólar e das bolsas nos próximos dias.