Dólar reage a dados de inflação e varejo nos EUA e à nova fase da PF contra o Banco Master, veja como Livro Bege, Trump e Powell influenciam o mercado

Dólar opera atento ao PPI e vendas no varejo nos EUA, à divulgação do Livro Bege e à segunda fase da operação da Polícia Federal sobre o Banco Master, fatores que mudam o humor dos investidores

O mercado financeiro começou o dia olhando para indicadores americanos e para acontecimentos domésticos que podem afetar fluxo e risco, com atenção especial ao comportamento do dólar.

Nos Estados Unidos, as vendas no varejo e o índice de preços ao produtor, PPI, entram na agenda, antes da publicação do Livro Bege pelo Federal Reserve.

No Brasil, a segunda fase de uma operação da Polícia Federal envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas ao controlador movimenta expectativas sobre impactos no setor financeiro e na confiança dos investidores, conforme informação divulgada pelo g1.

Como o cenário externo pressiona o câmbio

Os olhos dos operadores estão voltados para indicadores que o Fed acompanha de perto, em especial o PPI, cuja leitura anual atrai projeções do mercado, e para o Livro Bege, que reúne avaliações sobre atividade econômica nos 12 distritos do Fed.

Economistas consultados pela Reuters projetam alta de 2,70% para o PPI em 12 meses, número que pode influenciar percepções sobre a trajetória de juros nos EUA e, portanto, a cotação do dólar.

Além disso, dados recentes mostram que o índice de preços ao consumidor, CPI, avançou 0,3% em dezembro, e que, em 12 meses até dezembro, a alta foi de 2,7%. O núcleo do CPI, sem alimentos e energia, subiu 0,2% em dezembro e 2,6% em 12 meses, confirma leitura divulgada pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho dos EUA.

Impacto doméstico, operação da PF e o caso Banco Master

A Polícia Federal deflagrou a segunda fase de uma investigação sobre um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master, com buscas em endereços ligados ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e a familiares dele.

Além de Vorcaro e parentes, a operação tem como alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos, segundo informações divulgadas pela PF.

A repercussão no mercado local é imediata, porque envolve nomes relevantes e movimentações financeiras, e porque, em uma das frentes da operação, foram bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens, segundo a cobertura jornalística que acompanha a ação.

Leitura dos números e desempenho dos mercados

Na véspera, a moeda americana avançou 0,06%, cotada a R$ 5,3753. Já a bolsa teve uma queda de 0,72%, aos 161.973 pontos.

Os acumulados, que ajudam a traçar o comportamento recente, registravam para o dólar Acumulado da semana: +0,19%, Acumulado do mês: -2,07%, Acumulado do ano: -2,07%. Para o Ibovespa, os números eram Acumulado da semana: -0,84%, Acumulado do mês: +0,54%, Acumulado do ano: +0,54%.

Esses indicadores mostram como combinações de notícias locais, como a operação da PF, e sinais externos, como dados de inflação e decisões potenciais de política monetária, atuam de forma conjunta sobre o câmbio e sobre a bolsa.

Risco político nos EUA e repercussão global

Também em cena está a tensão entre a Casa Branca e o Federal Reserve, após o presidente Donald Trump ameaçar medidas contra o presidente do Fed, Jerome Powell. A pressão elevou preocupações sobre a independência do banco central.

Dirigentes de bancos centrais divulgaram nota conjunta em apoio a Powell, afirmando: “Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell”, segundo a declaração citada por veículos que cobriram o episódio.

Na mesma linha, o governo Trump anunciou imposição imediata de tarifas contra países que fizerem negócios com o Irã, de 25% sobre transações com os Estados Unidos. Em publicação na rede do presidente, foi dito, entre aspas, “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre quaisquer e todas as transações realizadas com os Estados Unidos. Esta ordem é final e conclusiva. Agradeço a atenção a este assunto”. Esse movimento pode ter efeitos comerciais e geopolíticos que repercutem nos mercados.

Bolsas internacionais, imobiliário e leitura final

Nos Estados Unidos, os principais índices chegaram a inverter ganhos e operar em baixa, após alerta do JP Morgan sobre teto para taxas de cartão de crédito, com o Dow Jones tendo queda de 0,71%, para 49.238,10 pontos, o S&P 500 recuando 0,23%, a 6.960,81 pontos, e o Nasdaq caindo 0,16%, para 23.696,83 pontos.

No mercado imobiliário americano, as vendas de casas unifamiliares novas recuaram 0,1% em outubro, para uma taxa anualizada e ajustada sazonalmente de 737 mil unidades, informou o Departamento de Comércio dos EUA. Em setembro, as vendas haviam alcançado 738 mil unidades, após 711 mil em agosto, e na comparação com outubro do ano anterior houve alta de 18,7%.

Em resumo, o dólar segue sensível a uma mistura de leitura macro internacional, notícias de política e operações judiciais locais, e a combinação desses fatores pode aumentar a volatilidade no curto prazo. Acompanhar os indicadores americanos e os desdobramentos da operação da PF ajuda a entender os próximos movimentos do câmbio.