Exportação de café do Brasil em 2025, receita recorde de US$ 15,6 bilhões apesar de queda de 20,8% no volume, tarifaço reduz embarques aos EUA

Exportação de café do Brasil mostra menor volume, 40,049 milhões de sacas, mas preço médio sobe para US$ 389,17 e receita cresce 24,1% em 2025

A exportação de café do Brasil em 2025 teve movimento paradoxal, com menos volume embarcado e receita histórica. A quantidade enviada ao exterior caiu, enquanto o valor arrecadado atingiu patamar recorde.

Produtores e exportadores dizem que o aumento do preço médio da saca e a baixa disponibilidade no mercado explicam a alta na receita, apesar do recuo nos volumes. A mudança nos principais destinos também influenciou os números.

Os dados e explicações sobre queda de embarques e receita recorde foram divulgados pelas entidades responsáveis, conforme informação divulgada pelo g1.

Queda de volume e causas

Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, a exportação brasileira totalizou 40,049 milhões de sacas de 60 kg em 2025, para 121 países, o que representa uma queda de 20,8% em relação a 2024. Uma das razões apontadas para essa redução foi o chamado tarifaço aplicado pelos Estados Unidos entre agosto e novembro, que impactou fortemente os embarques ao mercado norte-americano.

Receita recorde e fatores de valorização

Mesmo com menos sacas exportadas, a receita atingiu o maior valor da história, US$ 15,6 bilhões, um aumento de 24,1% frente ao ano anterior. O principal fator para o salto na receita foi o aumento do preço médio, que passou de US$ 248,36 por saca em 2024 para US$ 389,17 em 2025, pressionado pela baixa oferta no mercado mundial.

Mudança de mercado, Alemanha no topo

O comportamento dos compradores também mudou em 2025, com a Alemanha superando os Estados Unidos como maior destino das exportações brasileiras. A Alemanha comprou 5,40 milhões de sacas de 60 kg, contra 5,38 milhões dos Estados Unidos, segundo os números divulgados pelo Cecafé.

Impacto do tarifaço e declarações

Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, atribuiu parte da queda dos embarques aos EUA às tarifas impostas, afirmando, “Nos quase quatro meses de vigência do tarifaço sobre todos os tipos de café do Brasil, e vale lembrar que o solúvel ainda segue taxado, nossos embarques aos norte-americanos despencaram 55%, majoritariamente afetados por essas taxas“. O recuo nas vendas ao mercado dos EUA foi um dos principais elementos que levou à redução do volume total exportado.

Para 2026, analistas do setor acompanham a evolução dos preços e a possível normalização dos fluxos comerciais, que deverão definir se a receita continuará elevada mesmo com volumes menores, ou se a recuperação de embarques reduzirá o preço médio, com impacto na arrecadação.