Irã anuncia exercícios navais com Rússia e China enquanto negocia acordo nuclear com os EUA, tensão cresce e estreito de Ormuz é afetado

Teerã confirma manobras conjuntas no Mar de Omã com tropas russas e prevê novas ações com a China até o fim do mês, em meio a negociações nucleares e ameaças dos EUA

O Exército iraniano anunciou exercícios navais conjuntos com forças da Rússia, previstos para quinta-feira, no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico.

Agências estatais informam que, até o fim de fevereiro, haverá novas manobras envolvendo também forças chinesas dentro do programa Cinturão de Segurança Marítima.

As ações ocorrem durante rodada de negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano, em um clima de fortes ameaças e presença militar na região.

conforme informação divulgada pelo g1

Como serão as manobras e quais os objetivos declarados

Segundo a agência semioficial Fars, as manobras Irã-Rússia devem acontecer no Mar de Omã e no norte do Oceano Índico já na quinta-feira.

O comandante da Marinha iraniana, Hassan Maghsoodloo, disse, segundo a Fars, “Criar convergência e coordenação em medidas conjuntas para enfrentar atividades que ameaçam a segurança e a proteção marítima (…) bem como combater o terrorismo marítimo estão entre os principais objetivos deste exercício conjunto”.

As operações fazem parte do programa anual Cinturão de Segurança Marítima, que busca aumentar a integração de segurança entre Irã, Rússia e China desde 2019, segundo agências estatais iranianas.

No início do mês, a Guarda Revolucionária Islâmica conduziu exercícios no Estreito de Ormuz, que, segundo relatos, teve que ser parcialmente fechado na terça-feira por conta das manobras.

Negociações nucleares, avanços e pontos de divergência

O primeiro encontro para negociações nucleares entre EUA e Irã, no início do mês em Omã, teve “atmosfera muito positiva”, e as partes retomaram as tratativas após consultas internas.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que houve avanços na segunda rodada de negociações e que o caminho para um acordo estaria aberto, enquanto Washington disse que ainda há um longo caminho a percorrer.

Estados Unidos exigem limites mais amplos, incluindo programas de mísseis e apoio a grupos na região, e o regime do aiatolá Ali Khamenei afirma negociar apenas o programa nuclear.

Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear, dado que complica prazos e exigências das negociações.

Risco de escalada, ameaças e posicionamento militar dos EUA

O anúncio das manobras ocorre em um momento de forte pressão norte-americana, após presidente Donald Trump dizer que pode tomar “medidas muito duras” caso as negociações fracassem.

Trump enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar a presença naval próxima ao Irã, e o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln já está posicionado na região.

O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que Trump não conseguirá derrubar seu regime, e ameaçou o porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln, que está nas águas do Mar Arábico, segundo relatos.

Autoridades dos EUA mantêm tom cauteloso, e figuras políticas públicas americanas disseram que um acordo com o Irã “será difícil”, ao mesmo tempo em que acusaram os líderes iranianos de radicalismo.

Impacto regional e perspectivas

Especialistas e autoridades apontam que os exercícios conjuntos podem elevar ainda mais a tensão militar no Golfo Pérsico e no norte do Oceano Índico, complicando as negociações diplomáticas.

Para analistas, a combinação de presença naval reforçada, declarações públicas e aumento do estoque de material nuclear torna as próximas semanas críticas para estabilizar ou agravar o confronto na região.

O desfecho das negociações nucleares, e a resposta militar das partes envolvidas, serão determinantes para os próximos movimentos no teatro marítimo e diplomático do Oriente Médio.