quinta-feira, julho 23, 2026

Liquidação extrajudicial da Reag Investimentos pelo Banco Central após investigação da PF, fundador sai e Arandu Partners assume controle, saiba os impactos

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Reag Investimentos entra em liquidação do CBSF DTVM, BC aponta descumprimento de regras prudenciais e cotistas podem ter resgates temporariamente suspensos

A liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, foi decretada pelo Banco Central, após apurações que envolveram a gestora Reag Investimentos.

O movimento ocorre após investigações da Polícia Federal e alterações no comando da companhia, incluindo a saída do fundador João Carlos Falbo Mansur, em processo que reconfigurou o controle da gestora.

Nas próximas etapas, o liquidante nomeado pelo BC deverá avaliar a transferência de fundos para outra administradora, enquanto resgates e aplicações ficam temporariamente congelados, conforme informação divulgada pelo g1.

O desmonte e as mudanças societárias

A Reag Investimentos passou por um processo rápido de desmonte, em contexto de investigações que atingiram várias empresas do grupo. Em setembro de 2025, a Reag Capital Holding deixou de ser companhia aberta e saiu da bolsa, com o cancelamento do registro na CVM aprovado em outubro de 2025, tornando-se empresa de capital fechado.

Nesse período, ocorreram saídas de executivos e mandados de busca em operações da Polícia Federal. O fundador João Carlos Falbo Mansur deixou formalmente a administração da Reag, depois de constar como alvo em ações relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras.

Venda do controle para a Arandu Partners

Em setembro de 2025, Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para um grupo de executivos da própria gestora, por meio da Arandu Partners Holding S.A. A Arandu adquiriu cerca de 87,38% do capital da companhia, em uma transação estimada em R$ 100 milhões.

Com a operação, a Arandu Partners passou a controlar a Reag Investimentos, que desde dezembro de 2025 opera na bolsa com o novo ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3. No conjunto do grupo, a empresa responsável por administrar fundos era a Reag Trust DTVM, depois rebatizada como CBSF DTVM, sob fiscalização do Banco Central.

Efeitos da liquidação da CBSF DTVM para cotistas e mercado

O Banco Central justificou a medida afirmando que a empresa descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei“. A classificação da CBSF DTVM no segmento S4 indica que a autoridade entende tratar-se de uma instituição de porte pequeno, sem risco de contaminação sistêmica ampla.

Segundo Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional“.

Bolico complementa, “Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado“. Na prática, o liquidante deverá convocar assembleias para viabilizar a transferência dos fundos a administradora saudável.

Investigações envolvendo Banco Master e operações atípicas

A situação da Reag Investimentos se agravou com menções nas operações da Polícia Federal, incluindo a Operação Compliance Zero, que apura suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. As investigações examinam se fundos administrados pela gestora foram usados em operações atípicas, com circulação de recursos entre fundos e o banco, e se tais mecanismos serviram para inflar resultados ou ocultar riscos.

Além disso, a Reag foi citada na Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, no setor de combustíveis. Em nota anterior, o grupo negou envolvimento com irregularidades e afirmou que atua dentro da lei, colaborando com autoridades para esclarecer os fatos.

O desfecho da liquidação da CBSF DTVM e as apurações em curso devem definir os próximos passos para a Reag Investimentos, para os cotistas e para a normalização operacional dos fundos administrados pela gestora, conforme informação divulgada pelo g1.

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