Manifestação de agricultores em Paris pressiona Macron e a UE sobre o acordo UE-Mercosul, com bloqueios por abate de bovinos e ameaça à votação
Protestos com tratores e barricadas ocupam vias e pontos turísticos de Paris em reação ao acordo UE-Mercosul, enquanto deputados europeus se preparam para votar na sexta-feira, 9
Agricultores franceses bloquearam ruas e circularam por pontos emblemáticos de Paris, em um ato que pede o fim da política de abate de bovinos afetados pela dermatite nodular, e protesta contra o acordo UE-Mercosul.
Tratores foram estacionados em frente a monumentos e vias foram obstruídas, em manifestações organizadas por sindicatos do campo que tentam pressionar autoridades nacionais e europeias.
Os atos ocorrem em um momento de forte debate político na França, com o governo avaliando posição sobre o tratado e partidos de diversas correntes tentando influenciar a votação no bloco.
conforme informação divulgada pelo g1
O que os manifestantes exigem
Os protestos combinam duas frentes de reivindicação, pressão contra o acordo UE-Mercosul e oposição ao abate de bovinos com suspeita de dermatite nodular. Agricultores dizem que medidas adotadas pelo bloco europeu não protegem produção e renda do setor.
Reação política na França e na União Europeia
A França mantém uma postura crítica ao tratado, e a porta-voz do governo, Maud Brégeon, afirmou, “Este tratado ainda não é aceitável”, em entrevista à rádio France Info, texto que reflete a cautela do Executivo sobre uma votação que pode ser sensível eleitoralmente.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, declarou que, mesmo que os países da UE apoiem o acordo, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor, reafirmando a intenção de levar a disputa ao nível legislativo europeu.
Concessões e cenário de votos
Para tentar conquistar o apoio do setor agrícola, a União Europeia sinalizou concessões, entre elas a redução de tarifas sobre fertilizantes, e negociações de última hora trouxeram ajustes que não convenceram totalmente Paris.
O tratado conta com o apoio de países como Alemanha e Espanha, e análises indicam que, caso a Itália confirme apoio, a UE teria votos suficientes para aprovar o acordo com ou sem o respaldo francês.
Próximos passos e impacto da votação
A votação sobre o acordo no bloco europeu está prevista para sexta-feira, 9, e será decisiva para o futuro do tratado, que precisa passar pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.
Além do desfecho institucional, a mobilização nas ruas mostra como o tema pode repercutir internamente na França, em um contexto político sensível às pesquisas e às eleições municipais que se aproximam.
Imagens da manifestação mostram tratores em locais simbólicos de Paris, e a mobilização pode influenciar decisões de parlamentares e ministros nas próximas horas.