Marcelo Talarico e Luis Resende renunciam ao conselho do BRB, assembleia do GDF em 19 de fevereiro define nova direção em meio à investigação Master–BRB

As renúncias ocorrem perto da assembleia marcada para 19 de fevereiro, que deve votar Edison Garcia, Joaquim de Oliveira e Sérgio Nazaré, enquanto apurações seguem

Dois integrantes do conselho do Banco de Brasília deram saída do colegiado na noite desta quarta-feira, em movimento que altera a governança do banco público.

As saídas ocorrem após o acionista controlador convocar uma reunião para renovar o conselho, e chegam em um momento de forte atenção às operações entre o BRB e o Banco Master.

As informações são públicas e foram divulgadas nas comunicações oficiais do banco, conforme informação divulgada pelo g1

O que aconteceu

Dois integrantes do conselho de administração do Banco de Brasília (BRB) renunciaram aos cargos na noite desta quarta-feira (28).

Marcelo Talarico e Luis Fernando de Lara Resende deixaram suas funções com efeito imediato, segundo informou a própria instituição em comunicado ao mercado.

Além de abrirem mão dos assentos no conselho, os dois também saíram dos comitês internos do banco, conforme previsões da governança e da legislação aplicável.

Convocação e nomes indicados

As renúncias ocorrem cerca de duas semanas depois que o principal acionista do BRB, o governo do Distrito Federal, convocou uma assembleia para escolher um novo conselho de administração.

A reunião está marcada para o dia 19 de fevereiro. Na data, os acionistas deverão votar os nomes indicados para integrar o novo colegiado, entre eles Edison Garcia, Joaquim de Oliveira e Sérgio Nazaré.

Em janeiro, o banco já havia promovido mudanças na cúpula, quando Raphael Vianna de Menezes foi eleito presidente do conselho de administração, enquanto Antônio José Barreto de Araújo Júnior assumiu o cargo de diretor executivo de finanças.

Contexto da investigação Master–BRB

As trocas na administração do BRB ocorrem em meio à repercussão de uma investigação da Polícia Federal que envolveu dirigentes do Banco Master e do próprio BRB.

Segundo as autoridades, o suposto esquema poderia ter causado prejuízos superiores a R$ 10 bilhões ao banco público.

O caso começou após negociações pela compra do Banco Master pelo BRB, negócio que avançou e foi barrado pelo Banco Central por problemas nas condições da operação.

Além disso, O Banco Central estima que o prejuízo para o BRB possa ultrapassar R$ 3 bilhões. As apurações ainda estão em andamento.

Desdobramentos da operação policial

Em novembro, a Polícia Federal deflagrou uma operação que levou ao afastamento e à demissão do então presidente do BRB, e gerou medidas contra executivos do Master.

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso preventivamente e passou a usar tornozeleira eletrônica.

Após a operação policial, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, encerrando suas atividades. A medida foi justificada pelas autoridades por problemas de liquidez e indícios de fraudes.

Impactos e próximos passos

A saída de conselheiros e a assembleia marcada trazem incerteza no curto prazo sobre a estratégia do BRB, enquanto investidores e clientes acompanham decisões regulatórias e os desdobramentos da investigação.

O banco comunicou ao mercado as renúncias e afirmou que seguirá cumprindo as regras de governança durante a transição do colegiado.

Nos próximos dias, a confirmação dos novos conselheiros e eventuais medidas adicionais do Banco Central ou da Polícia Federal deverão guiar o ritmo das mudanças no BRB e o entendimento sobre os impactos financeiros.