Ouro dispara rumo à maior alta diária desde 2008, ouro e prata sobem forte após quedas, reação ao nome de Kevin Warsh para a presidência do Fed
Ouro volta a subir com forte recuperação, prata acompanha em alta, e mercado avalia impacto da indicação de Kevin Warsh no Fed e mudanças nas margens da CME Group
Depois de dois dias de forte queda, o preço do ouro recuperou terreno nesta terça-feira, em movimento que o coloca no caminho da maior valorização diária desde 2008.
Ao mesmo tempo, a prata teve alta ainda mais expressiva, após oscilações agudas na última semana, com investidores aproveitando níveis mais baixos para recompor posições.
Os dados e declarações sobre as cotações e fatores que influenciaram o mercado foram reportados pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.
Movimento dos preços e números-chave
Ouro à vista avançava 6,9%, negociado a US$ 4.985,44 por onça, recuperando-se da mínima registrada na véspera, de US$ 4.403,24, embora ainda abaixo do recorde histórico da semana anterior, de US$ 5.594,82.
No mercado futuro, os contratos para entrega em abril subiam 7,7%, para US$ 5.011 por onça.
A prata teve alta de 11,7%, cotada a US$ 88,74 por onça, depois de sofrer uma queda de 27% na sexta-feira e novo recuo de 6% na sessão de segunda-feira.
Por que o ouro e a prata oscilaram
Os metais haviam recuado nos últimos dias após a indicação de Kevin Warsh para assumir a presidência do Federal Reserve, no lugar de Jerome Powell, que deixará o cargo em maio.
A expectativa é de que Warsh apoie cortes de juros, mas adote uma postura mais restritiva em relação ao tamanho do balanço do banco central americano, e o mercado vem recalibrando posições, com impacto direto no preço do ouro.
Visão de especialistas e fatores estruturais
Para Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals, “as perdas recentes fazem parte de um ajuste dentro de uma tendência mais ampla”, e “os fatores que sustentaram a valorização do ouro nos últimos anos seguem presentes”.
Jeffrey Christian, sócio-gerente da CPM Group, afirma que a expectativa é de retomada gradual da valorização, à medida que persistem as preocupações dos investidores com o cenário econômico e político.
Riscos e outros influenciadores do mercado
Além da indicação para o Fed, a decisão da CME Group de elevar as exigências de margem para contratos futuros de metais preciosos pressionou os preços, porque tende a reduzir a alavancagem dos investidores.
O cenário também foi afetado por fatores externos, como a paralisação parcial do governo federal dos Estados Unidos, que levou o Departamento de Estatísticas do Trabalho a informar que o relatório de emprego de janeiro não será divulgado nesta sexta-feira.
Entre outros metais, a platina à vista subia 6%, negociada a US$ 2.248,20 por onça, enquanto o paládio avançava 4,8%, para US$ 1.802,43, mostrando que a alta atingiu várias referências do mercado de metais preciosos.