Suspensão do acordo UE-EUA paralisa negociações Turnberry, após Trump reiterar intenção de comprar a Groenlândia e ameaçar tarifa de 10% sobre produtos europeus, diz Bernd Lange
O Parlamento Europeu anunciou a interrupção da análise do acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos, em reação a declarações do presidente americano sobre a Groenlândia.
A medida, comunicada pelo presidente da Comissão de Comércio Internacional, Bernd Lange, suspende o avanço nas propostas conhecidas como Turnberry, que buscavam viabilizar as negociações com o Conselho Europeu.
A decisão ocorre após reiteradas declarações de Donald Trump sobre a transferência da Groenlândia aos EUA e a ameaça de tarifas, elevando tensões comerciais e diplomáticas.
conforme informação divulgada pelo g1
O que motivou a paralisação
A análise parlamentar vinha avançando para definir uma posição sobre as propostas Turnberry, com o objetivo de iniciar conversas formais com o Conselho e viabilizar os compromissos do acordo.
Segundo Bernd Lange, o processo foi interrompido por uma quebra de entendimento depois das declarações do presidente americano. Em relação ao discurso recente, Lange afirmou, “Ao ouvir o discurso dele [Trump] em Davos, não houve qualquer recuo de posição. Ele quer que a Groenlândia faça parte dos EUA, quer sentar à mesa para discutir um preço. O único compromisso assumido foi o de não usar força militar sobre a Groenlândia.”
As declarações de Trump e a justificativa de segurança
Nas últimas semanas, Trump intensificou iniciativas para anexar a ilha, que é vista como rota estratégica no Ártico e rica em matérias-primas críticas.
Em publicação nas suas redes sociais, o presidente escreveu, “Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!”
Além disso, Trump anunciou que pretende impor uma tarifa de 10% sobre produtos europeus a partir de fevereiro caso a Groenlândia não passe ao controle americano até junho, o que foi citado por Lange como fator decisivo para a interrupção das negociações.
Reação europeia e mobilização na região
Em resposta às declarações, países europeus anunciaram o reforço da segurança no Ártico, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido da Dinamarca.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram compromisso com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan.
A crise também provocou protestos populares, com milhares de pessoas nas ruas da Groenlândia e de Copenhague criticando a intenção de anexação, em manifestações que pediram que as potências exteriores não interfiram nos assuntos do território.
Impactos para o comércio e próximos passos
A suspensão da tramitação no Parlamento cria incerteza sobre o calendário das negociações comerciais entre UE e EUA e aumenta o risco de represálias econômicas, caso medidas unilaterais como a tarifa de 10% sejam efetivadas.
Embora a Comissão Europeia ainda tenha a opção de aplicar provisoriamente o tratado em algumas circunstâncias, a decisão parlamentar limita a capacidade de avanço sem um novo entendimento político com Washington.
Nos próximos dias, o foco estará em consultas entre instituições europeias, reações oficiais de governos-membros e eventuais novos passos da Casa Branca, com impacto direto nas relações comerciais entre blocos e na segurança do Ártico.