Por que o dólar atingiu a maior baixa em 4 anos e pode cair ainda mais, veja causas, riscos para a inflação americana e o papel de Trump e do Fed
Dólar perde força, recua 3% em uma semana e registrou queda anual próxima a 10%, levantando dúvidas sobre políticas de Trump, movimento de investidores e novas quedas
O dólar caiu para seu nível mais baixo em quatro anos perante uma cesta de moedas e recuou cerca de 3% em apenas uma semana, pressionando o poder de compra dos americanos e levantando alertas sobre impactos na inflação.
Analistas apontam que fatores políticos, decisões de investidores e movimentos no mercado de títulos explicam a queda, e há previsões de nova desvalorização caso juros e políticas dos EUA mudem.
Essas análises e dados foram reunidos e divulgados em reportagem recente, conforme informação divulgada pelo g1.
O que aconteceu com o dólar
Após uma década de apreciação, com picos entre 2020 e 2022, o dólar iniciou uma trajetória de enfraquecimento no ano passado. Em 2025, o índice do dólar caiu quase 10% no ano, o pior desempenho desde 2017.
A perda acelerou em semanas com decisões políticas e choques geopolíticos, incluindo anúncios de tarifas e tensão com a Europa sobre a Groenlândia. Em um só momento recente, a moeda recuou cerca de 3% em uma semana, e embora parte da queda tenha sido moderada depois, a tendência preocupou investidores.
Por que o dólar está caindo
Especialistas citam principalmente incerteza sobre as políticas do governo americano e mudanças nas expectativas sobre juros e investimentos globais. Robin Brooks declarou, “Na minha opinião, os mercados estão reagindo à natureza meio que irregular das políticas deste governo, as escaladas e atenuações”, atribuindo ao comportamento político parte da reação.
Chris Turner, do ING, afirmou que “A maioria das pessoas acredita que o dólar deveria, poderá e irá se enfraquecer ainda mais este ano”, mostrando que a expectativa por queda adicional já era dominante entre analistas.
Movimentos em mercados externos também contribuíram. A venda no mercado japonês de títulos e apostas contra o iene, junto com maiores oportunidades de investimento fora dos EUA, ajudaram a direcionar fluxos e enfraquecer o dólar.
Impactos para a economia e para os consumidores
Um dólar mais fraco tem efeitos mistos. Para exportadores americanos, a moeda desvalorizada pode aumentar competitividade, mas para consumidores o resultado costuma ser perda de poder de compra, com produtos importados mais caros e pressão sobre a inflação interna.
Analistas alertam que, se a tendência continuar, pode aumentar a inflação nos Estados Unidos por conta dos preços de importados. Ao mesmo tempo, parte dos investidores procurou ativos considerados de refúgio, como o ouro, cuja cotação dobrou no ano anterior.
O papel de Trump, do Fed e as perspectivas
O governo americano já sinalizou preferência por um dólar mais fraco. Em julho, o presidente afirmou, “Não parece bom, mas você ganha muito mais dinheiro com um dólar mais fraco… do que com um dólar forte”, indicando que autoridades veem benefícios econômicos em desvalorização controlada.
Ao mesmo tempo, decisões do Federal Reserve sobre juros serão decisivas. Se o Fed reduzir taxas, investidores podem buscar retornos mais altos fora dos EUA, pressionando ainda mais o dólar. A expectativa de que o Banco Central americano reduza juros, e a nomeação de pessoas alinhadas a essa visão, podem acelerar esse movimento.
Instituições como o ING projetam nova queda, estimando que o dólar pode recuar mais 4% a 5% ao longo do ano, à medida que oportunidades de crescimento fora dos EUA aumentem.
Em resumo, a combinação entre incertezas políticas, movimentação de capitais internacionais e perspectivas de juros mais baixos nos EUA explica a queda recente do dólar, e mantém a possibilidade de desvalorização adicional, com efeitos distintos para consumidores, empresas e mercados globais.