Quaest: 67% afirmam que não foram beneficiados pela isenção do IR até R$ 5 mil, 30% dizem que sim, impacto na renda em janeiro e custo para alta renda

Levantamento encomendado pela Genial Investimentos, com 2.004 entrevistas entre 5 e 9 de fevereiro, mostra percepções sobre a isenção do IR até R$ 5 mil, renda e quem arca com a medida

A maior parte dos entrevistados não se considera beneficiada pela isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, e uma parcela percebeu mudança na renda familiar em janeiro.

A pesquisa Quaest aponta que, apesar da expectativa de aumento médio de R$ 312,89 para quem recebe R$ 5 mil, muitos não sentiram o efeito diretamente no bolso, enquanto há medidas para cobrar contribuintes de alta renda.

Os números e as análises a seguir detalham quem foi atingido, quanto muda na prática e como a conta da isenção deve ser distribuída, conforme informação divulgada pelo g1.

O que a pesquisa mostra

Ao perguntar “Essa isenção beneficiou você ou sua família diretamente ou não?”, os respondentes indicaram: “Beneficiou: 30%Não beneficiou: 67%Não sabe/não respondeu: 3%”.

Além disso, sobre impacto na renda familiar, os entrevistados responderam: “Sim, a renda aumentou significativamente: 15%Sim, a renda aumentou, mas não muito: 32%Não sentiu diferença: 50%Não sabe/não respondeu: 3%”.

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro, a margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

Quem ganha com a isenção

A isenção do IR até R$ 5 mil passou a valer em janeiro e, antes de entrar em vigor, “a expectativa era de que os trabalhadores que recebem R$ 5 mil por mês tenham ganhos de R$ 312,89 na renda mensal”.

Segundo o economista Bruno Carazza, doutor em Direito Econômico pela UFMG, “a medida deve beneficiar cerca de 15 milhões de contribuintes em todo o país”.

Como a medida será custeada

A lei prevê cobrança adicional para contribuintes de alta renda, com ganhos acima de R$ 600 mil por ano, aplicada sobre o valor que exceder o limite.

O texto traz exemplos práticos, entre eles: “Quem ganha R$ 600.001,00 paga cerca de R$ 0,10, com alíquota de 0,000017%, Com R$ 615 mil anuais, a alíquota chega a 0,25%, e o imposto mínimo será de R$ 1.537,50”.

O impacto na prática e o debate público

Embora 47% dos entrevistados tenham declarado sentir impacto na renda familiar, o efeito real varia, com apenas 15% apontando um aumento significativo em janeiro e 32% registrando aumento, mas não muito.

Para muitos, a mudança é percebida de forma limitada, e a discussão agora se volta para como combinar a ampliação da isenção com medidas de arrecadação para as faixas mais altas, e para o tempo necessário até que a nova regra se reflita de forma clara no orçamento das famílias.