Selic em 15%: Copom mantém taxa, anuncia sinalização de corte em março e diz que flexibilização depende de cenário de inflação controlada, entenda impactos

Copom manteve a Selic em 15% na reunião de 28, decisão unânime, com expectativa de início de cortes em março caso a inflação siga controlada e as projeções se confirmem

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 28, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. A decisão foi tomada de forma unânime, e o Copom reiterou que seguirá atento à convergência da inflação à meta.

O atual patamar da Selic é o mais alto em quase 20 anos, e a taxa está neste nível desde o fim de junho, completando quatro reuniões seguidas sem alteração. Integrantes do governo defendem cortes, alegando impacto no ritmo da atividade econômica.

O Comitê, no entanto, indicou que, se o cenário esperado se confirmar, poderá iniciar uma flexibilização da política monetária já na próxima reunião, em março, abrindo espaço para cortes graduais dos juros, conforme informação divulgada pelo g1.

O que o Copom decidiu e por quê

A manutenção da Selic em 15% foi justificada pelo Comitê com base nas projeções de inflação. O Copom afirmou que manterá a restrição necessária para assegurar a convergência dos preços à meta, e sinalizou um possível início do ciclo de redução, caso as expectativas para a inflação se confirmem.

Segundo a reunião, a Selic permanece no maior patamar em quase duas décadas. A avaliação técnica do Banco Central considera que as mudanças na taxa demoram de seis a 18 meses para ter efeito pleno sobre a economia, por isso as decisões olham para projeções futuras, e não apenas para a variação recente dos preços.

Trecho divulgado pelo Copom

Em seu comunicado, o colegiado escreveu, textualmente, “O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, escreveu o Copom, conforme informação divulgada pelo g1.

Situação do colegiado e riscos

A reunião contou com dois votos a menos, após as saídas do diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen, cujas substituições ainda não foram indicadas pelo governo. Em 2025, diretores nomeados pelo presidente compõem a maioria do colegiado.

O Copom também lembrou o novo sistema de metas, que trata a meta de 3% dentro de uma margem, e que “o objetivo de 3% será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.”, conforme informação divulgada pelo g1. Esse parâmetro orienta a decisão sobre quando haverá espaço seguro para reduzir juros.

O que muda para a economia

Para consumidores e empresas, a manutenção em 15% significa custo de crédito elevado no curto prazo, e menor estímulo imediato ao consumo. A sinalização de cortes em março, porém, gera expectativa de alívio futuro para empréstimos e financiamentos, caso a inflação siga em trajetória de desaceleração.

O Banco Central reafirmou que tomará as decisões com base nas projeções, e que começará a flexibilizar a política monetária apenas se o cenário projetado se confirmar, conforme informação divulgada pelo g1.